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30 de setembro de 2010

Adeus, Lenin! (2003)

Um filme de Wolfgang Becker com Daniel Brühl e Katrin Sass.

O cinema alemão só vem me presenteando. Embora eu tenha visto pouco até agora, e só tenha visto os mais populares da cena contemporânea, sinto que não vou me decepcionar se me deparar com outra película alemã. Primeiramente, com Corra, Lola, Corra, que apresentou algo parecido com o que os Estados Unidos fizeram em Efeito Borboleta. Após isso, a vida conturbada de Christiane F. e dos adolescentes manipulados d'A Onda, todos beirando o drama profundo. E ainda temos A Vida Dos Outros, o drama típico entre os sistemas capitalista e socialista, numa batalha constante. Adeus, Lenin! quis utilizar dessa batalha através de uma crítica bem humorada e original, mas completamente imparcial.
Christine Kerner (Katrin Sass) é uma mulher batalhadora, completamente socialista, que escreve cartas de reclamação para acabar com os pequenos problemas de sua sociedade igualitária. Porém, ao ver o filho Alex Kerner (Daniel Brühl) numa passeata a favor do capitalismo, ela entra em coma, exatamente no momento em que houve a queda do muro de Berlim. 8 meses depois, ela desperta de seu profundo descanso numa Alemanha totalmente mudada. Como o médico diz que ela não deve sofrer fortes emoções, Alex decide esconder dela sobre a junção das Alemanhas e todo o mundo capitalista que o país se tornou, criando um próprio mundo socialista na casa enquanto ela está de cama.
O roteiro é brilhante, bem original e nos preenche com situações dramáticas e engraçadas durante o filme. Assim como o francês A Culpa É Do Fidel!, que aborda o comunismo aos olhos de uma garota de 9 anos, Adeus, Lenin! se cria através de uma mentira e ganha graça por ter sido feito aos olhos ingênuos de um socialismo com os dias contados, que ficou aprisionado num quarto minúsculo enquanto o capitalismo apenas ganha força pelo mundo. Com todos os seus jogos, o filme quase me convenceu que a Coca-Cola é uma bebida socialista. Além de todas essas alfinetadas sobre o sistema dominante e todas as mentiras para o sistema em extinção, há uma comoção bonita que faz o filme ser classificado como drama, que é o quão longe iria um filho por sua mãe, já que ela é toda a referência que ele teve durante sua vida. Toda a sua criação do mundo ideal é bonita se visar a reação.
A atuação é mediana para cima. Em nenhum momento ela caiu drasticamente, mas foram poucos os que eu me surpreendi. Daniel Brühl conseguiu levar o filme longe, mas sua atuação não chega a ser memorável, se eu me lembrar dessa película provavelmente é pelo roteiro. Katrin Sass é uma das melhores, sua face bondosa e toda a sua atitude cansada foram boas o bastante para arrancar minhas risadas à medida que os acontecimentos ocorriam. Chulpan Khamatova, que interpretou Lara, também merece uma ressalva. A trilha sonora, composta exclusivamente por Yann Tiersen, é magnífica.
Com um roteiro inovador e diferente do proposto atualmente pelas superproduções, Adeus, Lenin! consegue entreter durante toda a sua bela história sobre mentira, história essa que traz teias que a ligam com a corrupção e desigualdade do capitalismo, a tolice e as falhas de um socialismo puro e a essência de um laço familiar bem forte, forte o bastante para criar um mundo novo num mundo novo.
NOTA: 8

Um comentário:

alan raspante. disse...

Gabriel, acho que este é o único filme alemão que eu vi, pelos menos dos citados é o único. Eu gostei bastante do filme, claro principalmente pelo excelente roteiro, mas gostei dele por um "todo" me surpreendi bastante!

Abs, fera!