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22 de setembro de 2010

A Culpa É Do Fidel! (2006)

Um filme de Julie Gavras com Nina Kervel e Julie Depardieu.

Lindo. Julie Gavras criou um filme ótimo com opiniões de esquerda contra as de direita sem favorecer lado algum e consegue misturar isso com a infantilidade de uma criança que tem de aprender a ser adulta. Além de tudo, é inovador. Não há aquela história de um homem tendo que lutar contra o capitalismo selvagem para escolher o belo comunismo. Há uma menina que é influenciada pelos dois lados, cuja mente egoísta só vê o que é bom para o próprio mundo, e o filme vai trabalhando com o despertar de uma mente que teve tudo para não favorecer nem o "belo comunismo" ou o "capitalismo selvagem".
Anna de la Mesa (Nina Kervel) é uma menina de 9 anos que vive em sua confortável rotina de garota rica. Ela mora em uma casa grande com um belo jardim, tem uma empregada e estuda num colégio católico. Porém, após o tio morrer e os pais viajarem para o Chile, Anna se vê cercada de mudanças: sua empregada, uma cubana anti comunista, é despedida, ela sai de sua casa para um apartamento minúsculo com apenas um banheiro e tem de dividir o quarto com seu irmão. Além disso, ela tem de sair das aulas de religião fornecidas pela escola e a casa sempre está frequentada por "barbudos". Desse modo, Anna tem de aprender a conviver com seus pais comunistas, sempre querendo que eles voltem para a vida capitalista de antes.
Eu adorei tudo nesse filme, de cabo a rabo. O roteiro é fantástico, novo e consegue criar uma lógica inteligente com situações cotidianas sérias que chegam a ser hilárias por serem vivenciadas por uma menina tão nova. O humor e o segredo de A Culpa É Do Fidel! ficam por conta de vários déjà vus que Anna tem entre o capitalismo e o comunismo, e com o despertar de uma mente ingênua de uma criança que leva tudo ao pé da letra. E ele dá um gosto de quero mais com as aventuras dessa pequena parisiense que aprende a mudar de estilo de vida tão rapidamente, assim como O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. O mais bonito do filme é que, após uma lição inteira de comunismo, Anna o acolhe da forma mais rápida possível: através de um convite simples, um convite que se tornou possível através de muitas eleições, discussões, acontecimentos, abortos, abaixo-assinados e depois de muita insistência na mente cômoda da menina.
Nina Kervel leva boa parte do filme em suas costas. Julie Depardieu e Stefano Accorsi estão ótimos, mas nada se compara à inteligente garota que teve uma atuação impecável durante os 100 minutos de sessão. Claro que não posso esquecer de Benjamin Feiullet, o hiperativo François de la Mesa, tão pequeno e tão encantador quanto Nina. E tudo no filme era uma promoção de como se cativar: a trilha sonora lenta e doce, a bela fotografia de momentos de tédio e de lições capitalistas da menina ou de lições comunistas dos pais, até o cenário foi propício para criar o ambiente aconchegante que foi o filme.
É um filme independente que comove todos e tudo através de uma situação que seria incômoda na vida real mas se torna um aperitivo para a plateia que vai ver. E o filme ainda faz mais: cria uma discussão atual entre dois sistemas distintos sem favoritismo, cria um gosto diferente de ver uma atuação tão boa por uma atriz tão pequena e desconhecida, relembram princípios perdidos na atualidade que deveriam ser relembrados para um mundo melhor e criticam implicitamente o radicalismo do comunismo ao gritar ao mundo que Mickey Mouse é um fascista. É um filme fascinante.
NOTA: 10

Um comentário:

alan raspante. disse...

Sempre vejo este filme na locadora, mas nunca pego ele, na próxima eu loco!!!!