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7 de setembro de 2010

Meninos Não Choram (1999)

Um filme de Kimberly Pierce com Hilary Swank e Chloë Sevigny.

É um filme fácil que poderia ser muito melhor aproveitado, assim como À Espera De Um Milagre, um clássico e um ótimo filme, mas não tem muito potencial para virarem algo. Mas a diferença que há em Meninos Não Choram é que foi baseado em fatos reais, o que deixa sua crítica ainda mais forte e sua pouca exploração adequada, já que o maior objetivo foi reproduzir a vida de Teena/Brandon sem alteração de detalhes. Tirando isso, ótima atuação. Dá até gosto de assistir um filme assim.
Teena Brandon (Hilary Swank) sofre de crise de identidade sexual e sai pelas ruas com uma aparência masculinizada e com a identidade de Brandon Teena. Numa dessas noitadas, ele vai parar numa pequena cidade onde conhece Lana (Chloë Sevigny) e John (Peter Sarsgaard), criando vínculos que acreditava verdadeiros. Mas quando a verdade é revelada e descobre-se que ele na verdade é ela, toda a história muda. Seus amigos se tornam muito mais violentos do que costumavam ser e suas amigas se transformam em fofoqueiras de cidade grande, porém ainda com esperança de ter um verdadeiro amor, figura essa que viu em Lana.
Gosto demais desse filme porque é um retrato exato da realidade de hoje em dia: cruel e altamente homofóbica. Claro, com tantas paradas do orgulho gay que ocorrem aí atualmente, ainda há quem não abra a cabeça. Mas o que existe tanto em Meninos Não Choram quanto em O Segredo De Brokeback Mountain é a falta de caricatura do gay. O gay não é uma figura exageradamente afeminada como se mostra incansavelmente em Priscilla - A Rainha Do Deserto e sim uma pessoa qualquer, sem hormônios a mais e naturalidade de menos. A história real de Brandon Teena mostra exatamente isso, o preconceito altamente explícito em qualquer detalhe da trama, e a fuga de uma garota confusa de sua realidade para não aturar as consequências dos intolerantes.
Ótima atuação, nenhuma outra atriz conseguiria fazer com tanta maestria esta transsexualidade quanto Hilary Swank. Isso, claro, em minha opinião. Até porque de um ponto de vista ela realmente tem traços característicos bem masculinos. E toda a caracterização que ela criou em cima desse caso foram perfeitos. Chloë Sevigny também foi ótima, não tanto quanto Hilary Swank, mas boa o bastante para conseguir emocionar os corações mais fracos de uma sala. Nada de especial em fotografia, mas gostei da trilha sonora.
É chocante, é trágico, é real. É Meninos Não Choram, a história de uma menina que queria ser um menino, mas estava cercada de amigos cegos e preconceituosos para, ao invés de apoiá-la, tratarem-na como a visão homofóbica diz que ela deveria ser tratada. Quando a mãe de Lana diz: "Eu não quero isto na minha casa", foi o bastante para perceber como anda nossa sociedade super falsa e 'cabeça aberta'.
NOTA: 8

2 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Tão denso, cruel, como você diz - so a Hilary pra conceber um personagem REAL com nuances tangíveis, intensas.

Eu acho este filme bem mais perfeito e denso que Brokeback Mountain.

Abraço e parabéns pelo texto, garoto!

alan raspante. disse...

Preciso ver este filme, vontade que não falta. Gosto bastante da Swank!