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18 de abril de 2010

Dogville (2003)

Um filme de Lars Von Trier com Nicole Kidman e Paul Bettany.

OK, se vocês leram o que eu escrevi sobre Anticristo, espero que saibam quem Lars Von Trier não cria filmes assim, pelo menos para mim. Ele cria filmes ótimos, que trazem uma mensagem e vira um diretor supervalorizado. E isso é o que acontece com Dogville, eleito um dos melhores filmes da década passada. Muitos pensam que Dogville deve ter tido um grande orçamento para conseguir esse feito, e é muito pelo contrário. Dogville foi filmado em um grande galpão, ele não muda de cenário nenhuma vez, os efeitos, se comparados aos hollywoodianos, são bem precários e tudo foi filmado a mão, com um efeito à la Bruxa de Blair. Muitos depois disso pensam que o filme foi supervalorizado. Errados de novo. Embora muitos filmes hoje em dia tentam trazer a tona essa temática da natureza humana (assim como foi o fracassado Anticristo), Dogville é o que melhor representa.
Grace (Nicole Kidman), uma mulher fugitiva chega a uma cidade com poucos habitantes, chamada Dogville. Lá ela conhece o porta-voz da cidade, Thomas Edison Jr. (Paul Bettany), que a ajuda a escapar dos gângsters. A cidade, meio receosa de deixá-la ficar, decide colocá-la em um período de testes durante duas semanas para decidir se ela fica ou vai. Quando Grace é aprovada, ela começa a descobrir a verdadeira face de Dogville.
A história é do caralho para se analisar em um sala sobre filosofia ou em uma aula de direito. O filme se trata principalmente da natureza do ser humano, assim como Anticristo, que trabalhou de um modo mais explícito, e Ensaio Sobre A Cegueira, que trabalhou sobre a influência do caos. Dogville trabalha com a desconfiança e o medo. Sobre isso, todos na cidade revelam seus instintos para a desconhecida suspeita, nem que isso a aflinja. E Grace ao invés de revidá-los com a própria moeda e liberando suas vontades primeiramente, vai e renega sua natureza tentando dar sem receber nada em troca. A atuação de Nicole Kidman é ótima, assim como a de todos os moradores na cidade. Nenhuma se sobressaiu em especial, por isso eu cito Nicole Kidman.
A troca de cenário não é um fator determinante para um filme. Mesmo assim, filmes que trocam de cenário esplendorosamente não chegam a ser melhor que esse, onde a mente trabalha mais do que os olhos e os ouvidos. Dogville trabalha bastante com a teatralização do cenário, o cada um em seu quadrado e a mímica para abrir e fechar portas toda a hora, além do respeito ao espaço. Isso é bastante determinante pois os atores ainda tiveram que conviver com isso, o que chamou mais ainda minha atenção. A fotografia chega a ser bem boa em alguns momentos do filme, mas não durante ele todo. O figurino está excelente em todas as suas formas. Os diálogos chegam a ser ótimos no fim do filme, quando surge a grande discussão sobre os cachorros.
Dogville é bem supervalorizado. E ele merece muito ser. Lars Von Trier é supervalorizado. E também merece. Mas não por seu filme mais recente, e sim por produzir uma obra de arte com um ar de precário mas com a perfeição beirando a cada momento. Grande filme, eu não estava com dúvida que nota ia dar para ele. Mas quando Nicole Kidman mostrou os seus dentes para Dogville, aí eu não tive dúvidas.
NOTA: 10

3 comentários:

Alan Raspante disse...

Eu aluguei esse filme em um dia infeliz, dexei pra ver na ultima hora e já tinha que entregar pra locadora e acabei vendo partes do filme, afinal ele é mto longo kkkkk
mais com certeza é bem melhor que Anticristo !

gabriel disse...

acredite, muito melhor do que Anticristo. (:

Anônimo disse...

Sem dúvida um dos melhores filmes que já vi na vida.....é um daqueles que não se deve morrer sem ver.

Pena, que passou despercebido pela maioria.