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11 de outubro de 2010

Sociedade Dos Poetas Mortos (1989)

Um filme de Peter Weir com Robin Willians.

Ou então a ineficácia do sistema educacional. O que eu vejo aqui é um paralelo ao que A Onda propunha. Enquanto o alemão incentivava os alunos a se tornarem nazista e fechavam seu pensamento para uma ideologia fascista, a Sociedade Dos Poetas Mortos cria uma forma de pensamento amplo para os alunos escaparem da ideologia disciplinar proposta pelo sistema educacional. E, por mais que o roteiro seja intensamente previsível ao longo que o tempo passa, por mais que as atuações não valham muito numa escala e por mais que o roteiro tenha fugido de seu tema principal para dar lugar a situações que podem ser vistas em filmes adolescentes da Disney, a lição é ótima porque vai contra quem ensina as lições atualmente, quem forma e formou as mentes com ideias pré-estabelecidas.
No ano de 1959, numa escola preparatória altamente tradicional, onde só homens são permitidos, os alunos vivem sempre no mesmo paradigma de estudar para serem algo "útil", que lhes renda muito dinheiro, alunos como o animado Neil Perry (Robert Sean Leonard), que sofre intensa influência do pai; e Todd Anderson (Ethan Hawke), um garoto tímido e introspectivo. Porém, com a chegada do novo professor de inglês, John Keating (Robin Williams), os alunos descobrem uma forma de fugir da ideologia escolar e a pensarem por eles próprios, e com isso formam a Sociedade dos Poetas Mortos, um clube onde podem fugir de todo o método arcaico proposto pelo colégio.
Nos primeiro minutos, me senti vendo a Sessão da Tarde. A atuação não é o forte do filme, não mesmo. O roteiro é que consegue salvá-lo por inteiro. E por inteiro mesmo. Fotografia, trilha sonora, figurino, foram bons aspectos, mas só criaram ainda mais a impressão de eu estar vendo a Globo. A previsibilidade do roteiro também ajudou muito esse aspecto, e por começo o que ele propôs me lembrou uma tonelada de outros filmes que seguiram o estilo clichê. Todas as situações, os alunos, a escola, tudo me lembrou uma ideia reciclada pela trigésima vez. Mas o que o difere foi o quanto se doaram para criar a película, e o quanto ela emociona, e o quanto a ideia que ela traz é bem feita. Todos os aspectos que se sobressaíram no filme foram incríveis, todo o tradicionalismo mostrado pelos velhos professores do colégio e, tendo como contraste o jovem sr. Keating, todas as frases retiradas de romances ou de discursos, todo o método criado pelo professor novato para ir na contramão contra o proposto pela escola, toda a rigidez do castigo aplicado pelo diretor no que continha uma rebeldia, toda a disciplina tendo que ser seguida pelos alunos e, o que achei de mais fantástico, toda a rigidez que Kurtwood Smith, no filme representando o pai de Neil, usava com seu filho. E embora tenha sido feito há 20 anos representando a sociedade de 59, nada mudou até agora.
Quase nada na obra me surpreendeu, mas pelo entrosamento que tudo teve com a temática, ele já subiu bastante. Algo, assim como falei em O Fabuloso Destino De Amélie Poulain, que já deveria estar na mente de todos, mas precisa de intervenções da indústria cinematográfica para ser colocada em voga nos dias de hoje. A escola preparatória prepara para a vida, não molda alunos. Qualquer lugar prepara as pessoas para pensar, enquanto a instituição de Sociedade Dos Poetas Mortos prepara o pensamento das pessoas para que não haja revoluções e que só haja o potencial de um aluno nota 10. Um filme bem necessário. Carpe Diem.
NOTA: 8

2 comentários:

alan raspante. disse...

Bem, gabriel, apenas posso te fala uma coisa: Carpe Diem, hehehehehe

Cristiano Contreiras disse...

Eu acho este filme uma grande obra!