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12 de outubro de 2010

Réquiem Para Um Sonho (2000)

Um filme de Darren Aronofsky com Jared Leto, Ellen Burstyn e Jennifer Connelly.

Esqueçam tudo o que eu falei sobre como Eu, Christiane F., 13 Anos - Drogada e Prostituída retratava bem o mundo das drogas. Realmente, ele retrata, mas não é o melhor. Réquiem Para Um Sonho, graças à ótima perspectiva do diretor, consegue te fazer ver o filme como um viciado, graças aos cortes da câmera, as repetições constantes, ao balanço nos ápices da loucura causada pelas drogas e por todas as imagens chocantes que mostram um fim - real e bem cruel - de um usuário de drogas. E toda a ideia que Darren Aronofsky teve, dar a seus personagens um sonho e ter as drogas como caminho mais rápido para esse sonho, é fantástica.
Harry Goldfarb (Jared Leto) é um jovem apaixonado, mas é um viciado em drogas, e para manter esse vício ele revende a televisão de sua mãe inúmeras vezes. Ele namora Marion Silver (Jennifer Connelly), uma garota cujo sonho é ter uma loja para poder mostrar seus designs, mas graças a falta de dinheiro ela não concretiza esse sonho. Para ajudá-la, Harry e seu amigo Tyrone (Marlon Wayans) compram drogas, as adulteram e as revendem por um preço mais alto ainda, o que lhes rende uma grana extra. Já a mãe de Harry, Sara Goldfarb (Ellen Burstyn), é viciada em televisão. Um dia ela recebe um convite para participar de um show na TV, que ela aceita orgulhosamente. Porém, na hora de experimentar o vestido vermelho em que ela ia aparecer para o mundo ela vê que está alguns quilos acima do peso. Após tentar uma dieta ela começa a tomar pílulas para emagrecer, mas acaba não vendo que o medicamento começa a consumí-la de pouco em pouco.
Com um elenco desses é bem difícil a atuação não sair como esperada. Jared Leto está ótimo, mas não tão bom quanto as atuações femininas. Adorei Jennifer Connelly, a frieza que ela insistia em colocar em Marion, sua personagem com uma auto estima baixíssima, veio a calhar perfeitamente durante o filme inteiro e no incrível fim, e sua auto-negação só ajudou a crescer sua atuação. Ellen Burstyn teve simplesmente uma das melhores atuações dos últimos tempos como a dona-de-casa solitária, que ainda guarda ressentimentos e lembranças após a morte do marido e insiste em maquiar toda essa sua mágoa se afogando em chocolates e na televisão. Fotografia linda e uma maquiagem boa e angustiante. Ótima técnica utilizada, deu um tipo de interação com o público sem precisar se utilizar do documentário falso.
O roteiro provém de uma ideia simples já utilizada por muitos, mas as consequências e ramificações desse projeto são bem originais e merecem toda a admiração do público e a valorização do filme. Os personagens podem continuar com suas vidas amarguradas, seguindo em frente sem nenhuma surpresa boa ou podem arriscar a seguir as drogas e aí a vida deles tem um caminho certo a ser seguido. O fim é incrível, não exagero em dizer que foi um dos melhores que já vi: todos os sofredores deitados de conchinha no auge da sua dor, da sua angústia e da sua vida. Além disso, toda a utilização de vidros abrindo, cocaína cozinhando, pílulas na mão, toranjas recém-comidas, café sendo bebericado e pupilas dilatando, coisas simples para significar a continuação da estória, é fantástica. O roteiro não perde seu pique em momento algum, o filme vai só subindo ao passa que vai terminando, deixando um grande "quero mais" no fim.
Uma ótima ideia que foi Réquiem Para Um Sonho. Mexe com sonhos se utilizando do caminho fácil que é entrar no mundo das drogas, mexe em como os sonhos se realizam fácil nesse mundo e como eles acabam rápido dando lugar ao vício, sem a própria percepção, e à histeria. E tenho que parabenizar novamente a excelente Ellen Burstyn, que ficou mesmo louca para interpretar sua sofrida personagem no filme e me deu a graça de ver sua fabulosa atuação. Não entendo como perdeu o Oscar para Julia Roberts.
NOTA: 10

2 comentários:

alan raspante. disse...

ah, gabriel, sem sombras de dúvida este é o melhor filme que retrata sobre as drogas, emocionante e eficaz!
Foda demais!

Cristiano Contreiras disse...

Tão denso, avassalador, me impressiona e muito. Seu bom texto mostra o que o filme se propõe a falar - parabéns pelos pontos!

e também acho um absurdo, até hoje, Julia ter levado o oscar no lugar de Ellen! tsc.