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9 de maio de 2010

Os Sonhadores (2003)

Um filme de Bertolucci com Eva Green e Michael Pitt.

Um filme sobre cinema. Francês. E por incrível que pareça, não se torna chato durante suas quase duas horas. Aliás, o tempo passa voando. O problema é que ele não se contenta em chocar com sua referências atuais à literatura, ao cinema, à guerra e à música, mas coloca uma grande referência ao sexo. Mas não tão grande para fazê-lo virar uma orgia desnecessária, o que ocorreu em Anticristo, do tão aclamadíssimo diretor Lars Von Trier.
Matthew (Michael Pitt), um estudante americano vai a Paris para poder cursar uma universidade e não ir à Guerra do Vietnã. Na França, no meio de uma revolta cultural envolvendo a Cinemathèque parisiense, ele conhece os irmãos gêmeos Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel) e cria uma relação bastante íntima com os irmãos durante sua estadia na fabulosa cidade.
Antes da atuação, gostaria de falar do diálogo. Embora a maior parte seja retirado de alguns clássicos da literatura, alguns ganham mais vida na voz de Eva Green do que em páginas de papel bíblia. Desde "Não existe amor, existem provas de amor" até os mais simples como "Os pais dos outros são sempre melhores que os nossos. Porém os nossos avós são sempre os mais bacanas", todas falas beirando a verdade com uma sintonia que encanta. Embora eles tenham interpretado muitíssimo bem seu papel, eu não gostei. Não gostei dos personagens, por mais parte, afinal os atores só os interpretaram. Os Sonhadores é cheio de pessoas que não conseguem ver outra opinião além da própria e se irritam facilmente com qualquer oposição à verdade que eles creem. Além do que, retrata jovens que explodem facilmente e são totalmente entregados aos prazeres, nem que isso signifique incesto ou o uso constante das drogas para chamar a atenção. Theo mostrou o impulsivo, Matthew mostrou a razão e Isabelle se mostrava entre o meio dos dois, mas se puxava bastante para o impulso.
A história oferece uma grande crítica, tanto a revoluções quanto ao comportamento. E por isso eu gostei do filme, pois ele mostra o errado e o critica. Nunca vi um filme de um diretor conceituado que não tivesse uma boa fotografia. E esse tem uma grande fotografia. O figurino é ótimo, além de todas as referências ao cinema. A maquiagem se junta a ele para criar os efeitos mais incríveis. A trilha sonora passa da linha do magnífico. Fiquei felicíssimo ao ouvir Non, Je Ne Regrette Rien no fim.
Embora tenha várias coisas que me incomodam durante o filme, ele conseguiu se consertar durante o seu fim. Porém não totalmente, de forma que dê uma dupla intenção de a razão, uma hora ou outra, acabar perdendo para os sentidos. Que Descartes não veja esse filme, mas que a juventude veja e consiga ver a crítica, e não ver por ser um Bertolucci.
NOTA: 9

3 comentários:

Alan Raspante disse...

Òtima crítica !
Este filme é um dos meus favoritos. Recentemente até fiz uma resenha dele em meu blog : http://cinemapublico.blogspot.com/2010/05/os-sonhadores-2003.html
Abs !

sofia martínez disse...

Perturbador, mas maravilhoso, é um filme que está marcada mais uma vez ocupa o padrão Bertolucci cinéfilo entre sexo e política. Os Sonhadores é uma história interessante e cativante amor diretamente ligada ao contexto político-cultural aconteceu na primavera de '68 tumultos na cidade de Paris, capturando perfeitamente cenários e ambientes. Uma fita sedutor, com um grande elenco sobre todos os atores de cinema Eva Green (Isabelle) e Louis Gardel (Theo), surpreso com a simplicidade e graça encarnado quando alguns personagens e complexo coloridas, como Michael Pitt (Matthew), que, completando o trio, e ao abrigo de um apático, alucinado enquanto aparentemente atira trabalho com interpretação meticuloso, embora às vezes um pouco inútil. No geral, é um drama de amor cheio de ideais e descobertas que adora o cinema.

sofia martínez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.