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24 de novembro de 2010

O Escritor Fantasma (2010)

Um filme de Roman Polanski com Ewan McGregor e Pierce Brosnan.

Roman Polanski não decepciona, mesmo quando faz algo tão diferente do que eu já tinha conferido. O Escritor Fantasma está aí para isso. Enquanto em O Bebê de Rosemary ele cria uma atmosfera de horror e n'O Pianista ele cria um mundo pós segunda-guerra, O Escritor Fantasma está numa linha mais suspense à la Hitchcock, com o gênero noir que o polêmico diretor também utilizou em Chinatown. Além disso, é evidente a crítica política a Tony Blair no filme através da vida conturbada do primeiro-ministro fictício e um clima envolvente e misterioso sobre todas as especulações sobre uma carreira política, cheia de decisões que acometem um país inteiro.
Adam Lang (Pierce Brosnan) é o primeiro-ministro britânico, que possui uma vida cheia de mistério. Para esclarecer os detalhes dela ao seu fiel povo inglês, ele contrata um escritor fantasma (Ewan McGregor) para poder escrever suas memórias de uma forma agradável ao público. Com isso, o escritor se encarcera numa ilha norte-americana para começar um livro de memórias. Mas, pouco a pouco, as memórias de Lang vão se revelando cada vez mais obscuras, ainda mais porque recentemente houve uma acusação contra o primeiro-ministro de participação no terrorismo e porque o último escritor-fantasma contratado por Adam Lang morreu afogado, sem ninguém saber como.
É um filme completo, redondinho. O personagem de Ewan McGregor insiste em falar no início do filme que é um leigo no quesito política, o que permite que os mais atualizados até os mais desinformados sobre possam entender de uma forma fácil o filme. Também há o isolamento do personagem principal numa ilha longe de qualquer meio de informação, onde a TV transmite tudo o que há para se saber, dificultando todo o trabalho de um escritor fantasma. Mas no fim tudo se explica de um modo mais misterioso ainda, cheio de características dos melhores filmes noir como o envolvimento de espiões, agentes, políticos, tramas disfarçadas ou então descobertas literárias bem boladas. No geral, o filme inteiro é bem bolado, assim como sua trama. São boas atuações no geral, um merecimento especial para a atuação já estereotipada, mas que veio bastante a calhar de Pierce Brosnan e alguns momentos de Ewan McGregor possuem essa característica do detetive descompromissado. A atuação de Olivia Williams também merece uma atenção, embora sua aparição fosse bem curta, ela fez valer seus momentos.
O Escritor Fantasma não me chamaria se não recebesse tanta atenção esse ano, atenção essa correspondida com uma crítica à política através de metáforas e escândalos envolvendo guerras atuais com personagens com as mesmas características de certos líderes. O filme segue bem um suspense policial, envolvente com mistérios não explicáveis e uma trama explicável facilmente, um personagem principal que facilita a compreensão da plateia, pessoas que surgem e somem inexplicavelmente e um ritmo que cai e sobe ao decorrer da sessão. A atenção é merecida, é um bom filme para ser visto tanto por sua história quanto por sua direção. Polanski continua imperdível.
NOTA: 7

3 comentários:

Sebo disse...

Assisti "O Bebê de Rosemary" esses dias e bem, já havia gostado de "O Pianista". Estou super curioso em relação á este longa, virei fã do diretor!

[]'s

alan raspante. disse...

Ah Gabriel, estou suuuuper afim de conferir este filme!

abs!

Cristiano Contreiras disse...

Gostei do filme, mas acho que há momentos tediosos e mornos demais - fiquei admirado com a força interpretativa de Olivia Williams que, ao meu ver, merece indicação ao Oscar de coadjuvante.

abraço