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15 de novembro de 2010

Minhas Mães e Meu Pai (2010)

Um filme de Lisa Cholodenko com Julianne Moore, Annette Bening e Mark Ruffalo.

Um casal lésbico com dois filhos adolescentes. Isso, nas mãos erradas, poderia gerar muita polêmica. O filme poderia ser escrito falando de uma tempestuosa relação homossexual, de como ela é bem mais divertida e exagerada do que a heterossexual, de como os filhos tem vergonha das mães e sofrem com o preconceito. Agradeço primeiramente por ser Lisa Cholodenko a responsável pela obra. O casal feito por Julianne Moore e Annette Bening é tão banal que os mais preconceituosos esquecem que é um casal gay. Não digo que o filme precisava de mais cenas lembrando ao público que são lésbicas que eles veem na tela, ainda mais porque isso é péssimo e o transformaria numa comédia forçada. Minhas Mães e Meu Pai tem o trunfo de ser natural ao extremo, tão natural que nem a imagem estereotipada de um casal homossexual que o espectador geralmente tem o estraga.
Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening) são duas lésbicas que formam um casal unido. Jules não tem trabalho para cuidar de seus filhos, Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson), mas como eles já estão crescidos, ela pensa em abrir um ramo de paisagismo. Nic é uma médica esforçada, muito perfeccionista e viciada em vinho. A harmonia da família vai bem até que, faltando pouco para Jodi ingressar na universidade, as crianças decidem conhecer o doador de esperma que os gerou. A partir dessa situação, Paul (Mark Ruffalo) entra na vida da família e tudo fica irremediavelmente abalado.
Não dá para não esperar muito de um elenco desse peso. Julianne Moore é excelente, não precisa de comentários. Annette Bening está perfeita, uma interpretação impecável que eu tive o prazer de ver. As duas tem uma sintonia tão grande que ficam melhores juntas do que muitos casais heterossexuais forçados que vemos nas telas atualmente. Mark Ruffalo é outro show do longa, dava prazer de vê-lo cena após cena nas situações mais diversas. Eu não sabia o que podia esperar das crianças; de Mia só tinha visto o supervalorizado Alice No País das Maravilhas, e devo dizer que ela me surpreendeu nessa película. Acho que levou bastante bem seu papel. Já tinha visto uma boa atuação de Josh Hutcherson em filmes anteriores, então acho que seu nível continua.
A graça do filme se dá pela entrada de um doador de esperma sonso na vida de duas lésbicas já realizadas, um homem que cria uma reviravolta na vida das duas e de seus filhos a partir de suas filosofias e ações. O que o filme traz é uma lição boa: pai é aquele que cria, nem que o pai seja uma mulher. Não adianta ser um Mark Ruffalo e tentar se intrometer na vida de duas crianças com mentes já formadas e de um casal homossexual casado há muitos anos, ou o que acontece é o que se vê em Minhas Mães e Meu Pai. Uma das comédias que mais tive o prazer de ver nos últimos tempos.
NOTA: 8

2 comentários:

alan raspante. disse...

Um filme que quero imensamente ver. Imensamente!

Cristiano Contreiras disse...

Gostei muito do filme, muito MESMO!

O texto é real, tangível demais, é gente de verdade ali personificada...cada momento, cena, diálogos, tudo é bastante real.

Impressiona as atuações mesmo, até Mia está muito bem!

Merece atenção no Oscar, ano que vem!

dou nota 9 pra ele!

abraço