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21 de outubro de 2010

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

Um filme de Woody Allen com Woody Allen e Diane Keaton.

Divertido, e algo bastante inovador para a época. A comédia romântica de Woody Allen é divertida por sua interação com o público, a banalização das relações sociais que o protagonista insiste em desvendar e reduzir a estereotipos e com a quebra da quarta parede. Em certos momentos, eu me sinto dentro do filme com Woody Allen e Diane Keaton me colocando no meio de uma briga de casal, o que o deixa ainda mais divertido. Além de tudo, o filme consegue explorar os mais diversos planos sem deixar o ritmo cair. Ele não só se utiliza da comédia escrachada, mas também de um romance com um drama, colocando situações irônicas no meio para conseguir trazer para ainda mais perto o espectador. E aí está o ponto alto de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa: sua originalidade.
Alvy Singer (Woody Allen) é um humorista judeu que faz análise há vários anos que, jogando tênis, conhece Annie Hall (Diane Keaton), uma cantora em início de carreira. Os dois logo se identificam, ela por ter achado um homem engraçado e único, ele por achar uma pessoa que parece entender o mundo pessoal e a mente complicada dele. Quando os dois começam a morar juntos e viver o ápice de sua vida amorosa, os problemas conjugais começam a aparecer, deixando abalado o romance dos dois.
(500) Dias Com Ela, já viram? Eu identifiquei a mesma fórmula desse atual no clássico de Woody Allen: a lembrança de um romance que não dá certo, a vivência dos melhores momentos da vida deles juntos, as causas da separação. Só que este é bem melhor. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa explora mais os seus personagens, criando excentricidades para cada um. Deixar um Woody Allen completamente maluco com sua manias e TOCs que são apresentados desde de cheirar cocaína até andar de carro com sua namorada é algo que Joseph Gordon-Levitt não fez no filme do ano passado. E a carência rápida junto com as maluquices de Diane Keaton é até comparada com Zooey Deschanel, mas o carisma da primeira é algo a parte. Um resumo, os dois estão esplêndidos, assim como a fotografia e o figurino.
O roteiro é super inovador e divertido. É um tipo de filme que agrada todos sem precisar estar na lista da Tela Quente. Só digo que eu rolei de rir, literalmente, quando Woody Allen e Diane Keaton conversavam e pensavam outras coisas ao mesmo tempo, e o humor do filme só cresce daí para cima. A falta de linearidade para contar uma história sem nenhum atrativo, apenas com um humor irônico e um descritivismo único, é um artifício muito utilizado atualmente, mas quero que alguém me aponte uns filmes que usaram isso antes da década de 70. E toda essa não cronologia apenas traz a impressão de que são fatos narrados por um narrador muito presente, que vai se lembrando aos poucos sem se importar em dar continuidade ao fato anterior. Além da quebra com o público, a obra ainda tem outra coisa engraçada, que é a quebra da quarta parede com figurantes. Andando pela rua, Woody Allen começa a questionar o fim de seu relacionamento, e uma senhora e um homem o dão conselhos sem ele nem perguntar. Em outra situação, ele questiona um jovem casal como eles conseguem dar certo. A mulher diz que é vazia e desinteressante, e o homem fala a mesma coisa, que é a forma do diretor ver a superficialidade em vários relacionamentos atuais, até mesmo no dele quando relata uma noite com uma garota chamada Alisson, que começa com ele reduzindo-a a um estereotipo social, palavras dela.
Um filme impagável que merece ser visto uma, duas, três, quatro vezes. Uma vez para ver a belíssima atuação de Woody Allen e Diane Keaton. A segunda vez para vivenciar as situações constrangedoras e satíricas que os protagonistas vivem com um ponto de vista diferente da primeira. A terceira vez para ver o que foi perdido nesse filme simples, mas grande. E a quarta vez para rir de toda essa obra que ganhou o Oscar, merecidamente, de melhor filme em 78. E em todas você só vai sair pensando em uma coisa: nós precisamos dos ovos.
NOTA: 9

2 comentários:

alan raspante. disse...

Só anda vendo filmaço, hein.... quero MUITO ver este. Woody Allen é o cara!

Cristiano Contreiras disse...

Este é uma grande obra de Allen mesmo! revisarei e em breve posto um texto tão bom quanto o teu! abs