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13 de setembro de 2013

Invocação do Mal (2013)

Um filme de James Wan com Patrick Wilson e Vera Farmiga.

Lembro-me de alguns anos atrás, quando Namorados Para Sempre estreou no dia dos namorados, numa tentativa clara de enganar um público-alvo com um nome completamente errôneo. Traduzindo literalmente do inglês, o nome seria algo como Dia dos Namorados Triste ou qualquer variação. Imagino a quantidade de casais que, esperando ver um filme romântico com seu par, depara-se com um melancólico fim de namoro. A distribuição é muito esperta e nem todas as vezes é justa. Fico feliz em dizer que Invocação do Mal não é uma enganação para quem vai na sexta feira 13 ao cinema esperando ver um filme de terror - e um melhor do que todos aqueles que nos foram apresentados ao longo do ano.

James Wan é o diretor australiano conhecido por ser o precursor de uma das maiores (e mais cansativas) franquias do horror desse novo século, Jogos Mortais. Isso já comprova sua qualidade como diretor de filmes de terror e de tensão, já que ele só dirigiu o primeiro filme, aquele em que tudo era novidade e apresentava um plot twist realmente inesperado. Essa não é sua única bagagem nos filmes de terror, já que ele se aventurou também em Sentença de Morte e Gritos Mortais. Wan, porém, conseguiu assumir uma estética recentemente com seu ótimo Sobrenatural, um filme relativamente simples que consegue manter tensão e ritmo até os momentos finais, mesclando todos os elementos possíveis.

Sobrenatural, porém, foca no exagero e na tensão precipitada. O foco do filme são sustos, o que nós vemos desde o início quando o nome do filme surge de uma tela preta com uma trilha ensurdecedora. Isso se difere de Invocação do Mal pois este gosta de construir uma atmosfera para chegar ao fim. Há sustos aqui também, mas eles são premeditados e crescentes. O medo do novo filme de Wan provém do acompanhamento da situação. Note que aqui não faz sentido apenas aparecer um relato do que ocorreu em forma de narrativa (Filha do Mal, O Último Exorcismo) ou flashbacks (O Exorcismo de Emily Rose). Nós, como espectadores, somos inseridos no tempo-espaço da família Perron e só assim conseguimos sentir o que eles sentem, da mesma forma que Atividade Paranormal fez e ainda faz.

Mais uma vez o roteiro consegue ser simples e, ainda assim, manter uma tradição do cinema do horror. É inegável a referência a obras como O Exorcista ou Poltergeist, mas originalidade não é pré-requisito de qualidade, por mais que seja bem vinda. Invocação do Mal, porém, tem muitos de seus bons momentos e criações. O filme ganha um ritmo muito bom, começando com lentidão no início até se revelar rápido e ágil em fugir de alguns lugares-comuns. A rapidez peca em alguns momentos, porém, e não esconde pequenos furos de roteiro que prejudicam a credibilidade da narrativa, critério importante em filmes de terror.

A construção da atmosfera é impecável. A fotografia é escura e predominantemente bege, quando alguns tons claros tentam voltar à trama. Toda a direção de arte tem uma preferência para cores neutras e tons acinzentados, desde os figurinos variados até a escala de cores do papel de parede. Muitos dos ângulos utilizados dão a impressão de vertigem, com foco naqueles que tomam o olhar do protagonista como referência. A maior parte de todo o terror concentra-se no psicológico da espera, e não do imediatismo. Há de se acontecer alguma coisa, em algum momento, em algum canto da tela. A surpresa excita, mas a falta dela mantém a angústia.

Talvez o grande trunfo do filme seja a grande representação de histórias paralelas entre toda a narrativa, o que nos leva a dar uma expectativa maior a uma sequência (que eu duvido que venha a acontecer). James Wan é muito esperto em deixas várias histórias abertas, como a filha do casal Warren, o segredo que permanece em ser o que Lorraine viu e que a aterrorizou tanto, o início do casal como caçadores do sobrenatural. É muito inteligente colocar como atração principal um evento da vida da família Perron sem tirar o foco protagonista de Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga). A incompletude é que faz o filme parecer completo aos nossos olhos e é este artifício que faz o desfecho de Invocação do Mal, por mais que semelhante a muitos outros desfechos atuais, ainda manter o arrepio da espinha.

Não pude revelar o que é a história de Invocação do Mal, não pude falar mais sobre cada um dos detalhes que mais me chamou a atenção porque boa parte de uma experiência cinematográfica consiste no assistir para impressões próprias. Um terror consiste basicamente na não-expectativa para poder funcionar com precisão para um virgem do filme em questão, e tirar a experiência de qualquer um que não viu esta grande obra do horror que presenteia o dia do azar é um pecado.

NOTA: 9

Um comentário:

Augusto Fernandes Sales disse...

Até agora, é o melhor filme de terror da década.

http://gatosmucky.blogspot.com.br/2013/11/harrisville-1973.html

Abraços.