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14 de maio de 2011

Os Pássaros (1963)

Um filme de Alfred Hitchcock com Tippi Hedren, Rod Taylor e Jessica Tandy.

Após as pessoas se assustarem com o racionalmente irreal na forma de espíritos, fantasmas, vampiros e outras criaturas sobrenaturais, está na hora de brincar com a mente delas do que pode ocorrer. A partir daí, explora-se a psicopatia e outras psicopatologias a fim de assustar os mais preparados com uma situação que, por mais improvável que seja, ainda consegue ser aterrorizante. Veja o clássico do terror, Psicose. O terror do filme provém de uma perturbação mental de Norman Bates causada por uma situação que pode ocorrer a qualquer momento. Os Pássaros, outro clássico de Hitchcock, anda paralelo em relação a sua realização no todo, mas a ideia de ainda aterrorizar a mente e não o corpo permanece por meio de um conflito natural filmado incrivelmente.
Os Pássaros começa com a bela Melanie Daniels (Tippi Hedren) entrando numa loja de pássaros procurando sua encomenda, até que conhece o belo Mitch Brenner (Rod Taylor), um advogado bem-humorado que procura periquitos para a irmãzinha. Por Mitch não ter encontrado o que queria, Melanie, a fim de provocar o advogado, compra os periquitos e leva para a casa de praia dos Brenner, na cidade de Bodega Bay. Mas chegando lá, algum fenômeno ocorre, transformando os pássaros da cidade em máquinas mortíferas. Fora isso, Melanie ainda enfrenta os ciúmes da professora Annie Hayworth (Suzanne Pleshette) e da mãe de Mitch, Lydia Brenner (Jessica Tandy).
Aqui, a natureza é a agressora principal de um filme sobrenatural que se utiliza de elementos do cotidiano. E aqui não vemos uma trama sobre um assassino, é tudo amarrado de forma a não se poder escapar do suspense criado por Hitchcock. As técnicas utilizadas na obra são tradicionais para aumentar a tensão da platéia, e são extremamente bem feitas pra década de 60. Numa cena vemos a competente Tippi Hedren sentada num banco, enquanto dezenas de corvos, paulatinamente, se aglomeram logo atrás dela. Os momentos que variam entre a face da bela protagonista e os assassinos alados atrás dela são excruciantes. Outra cena genial aparece na tela quando há uma imensa revoada que ataca a cidade de Bodega Bay de uma maneira calculada e precisa. Os ataques são filmados de forma ao primeiro plano ficar por conta de dois pássaros atacando um cidadão enquanto o segundo plano fica atormentado por corvos e gaivotas planando de uma forma descontrolada. Não é à toa que o filme ganhou uma indicação merecida ao Oscar de melhores efeitos visuais, já que tudo contribui para uma dor impecável no thriller que se segue. As atuações deixam tudo ainda mais natural e assustador, com uma ressalva para o elenco feminino que rouba qualquer cena.
A maquiagem é extremamente bem feita e contribui para o visual apavorante de Os Pássaros. O sangue falso é bem colocado em meio a bicadas e não aparece a qualquer hora apenas para uma visão assustadora do que está por vir. Hitchcock coloca o suspense em seu filme por meio da espera, recheada de sons de pássaros grasnando, a única semelhança com uma trilha sonora de todo o filme. A fotografia se segura em seus momentos iniciais, começando bem e terminando numa sincronia perfeita. O contraste entre o domínio dos pássaros contra a cidade é que serve como uma quebra. Não há um momento melhor no filme, já que todas as cenas da cidade são completas por habitantes desconfiados que acreditam piamente numa crença acarretada por opiniões diversas. A cena num restaurante de Bodega Bay é fantástica por seus diálogos, antecedendo cenas dignas de fim de mundo causadas por pássaros. Tudo é causado por uma metáfora intensa baseada no medo. Entretanto, o medo em si é causado por uma ornitofobia ou por uma xenofobia?
O filme é apenas um aviso de Hitchcock para analisar de um modo mais completo sua tese sobre o terror. Não se engane se for ver Os Pássaros, as aves são as coadjuvantes do filme. A ira da comodidade de um ambiente é que o torna assustador. O final apenas comprova isso. Os pássaros voando servem como metáfora para ilustrar um medo infinito do ser-humano com o que ele não conhece. E Hitchcock colore essa figura que ele criou através de muita tensão provinda de corvos, gaivotas e qualquer coisa que encontremos no céu diariamente. O filme é uma transfiguração, seja de pássaros em seres hediondos, seja de uma cidade capciosa e de seus habitantes ingênuos numa cena de um crime. Um crime suicida.
NOTA: 10

11 comentários:

Alan Raspante disse...

Nossa, excelente crítica. Principalmente esse último parágrafo. Muito bom!

Cara, baixei esse filme e comecei a vê-lo... parei na metade e até agora não vi o resto. Vou tomar vergonha na cara e vê-lo por inteiro :P

Abs :)

Adecio Moreira Jr. disse...

Clássico indispensável!!!

renatocinema disse...

Análise perfeita sobre o filme.

Adoro esse filme e sua força.

Mas, do grande mestre prefiro Psicose.

Emmanuela disse...

Esse filme é primoroso. Clássico indispensável. Quando assisti a este filme eu estava queimando em febre hahaha. Informação inútil que me veio na cabeça.

Emmanuela disse...

Ah, gostaria de agradecer suas constantes visitas ao cinema pela arte.

Luiz Santiago disse...

Os Pássaros é daqueles filmes que a gente NUNCA esquece. É meio difícil dizer qual o filme do Hitch que eu prefiro, mas Os Pássaros está ali ao lado de Janela Idiscreta, Psicose, A Sombra de Uma Dúvida e o desprezado Trama Macabra. Gosto muito, muito, muito mesmo. E adorei tua visão sobre a abordagem do filme. =)

Abraço

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

É um filme genial. Perturbador.
Abração e Apareça!

O Falcão Maltês

Fábio Mariz disse...

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Kamila disse...

Qualquer filme do Hitchcock é clássico. O bom é que as obras dele são cheias de nuances, então, merecem uma análise como a que você fez de "Os Pássaros".

Guto Nascimento disse...

Esse filme eh imperdível! Gabriel, parabéns pelo post e pelo blog... Jah estou seguindo... Faz uma visitinha no meu blg lah... :) Abração! www.cinemadebordo.com (cinema gls e independente)

Andinhu S. de Souza disse...

Gosto desse, porém achei o menos bom do Hitch. De uma direção grandiosa e os experimentos técnicos do diretor funcionam, só a história que não me agradou muito, apesar de ter cenas bem tensas.