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19 de outubro de 2010

O Segredo de Vera Drake (2004)

Um filme de Mike Leigh com Imelda Staunton e Phil Davis.

Antes de ver eu já tinha sido avisado sobre a trama que assolava O Segredo De Vera Drake: a atuação de Imelda Staunton é sublime, mas o roteiro é bem fraco. Confirmado. Não devo me enganar ao dizer que foi a melhor atuação dela, lhe rendendo uma indicação ao Oscar. Sua caracterização para Vera está excelente. Agora dois fatos se devem por ela não ter ganho melhor atriz em 2004. O primeiro é ela estar concorrendo com Hilary Swank em sua ótima Menina de Ouro e com Kate Winslet no grande Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças. O segundo fator foi pela imensidão e trabalho de sua caracterização não serem do mesmo nível do filme em que ela atuou. O roteiro é fraquíssimo, podendo ser bem melhor explorado graças a várias discussões atuais, e isso tirou o brilho de Imelda.
Na Londres dos anos 50, Vera Drake (Imelda Staunton) vive sua vida sossegada. Ela tem um marido (Phil Davis) que trabalha como mecânico na oficina de seu cunhado, e dois filhos que constituem sua família unida e feliz. Além disso, Vera é uma pessoa realmente altruísta, que insiste em ajudar os doentes e idosos além de sua profissão de faxineira. Mas Vera esconde um perigoso ofício, já que paralelamente ela ajuda jovens garotas, de graça, a realizarem um aborto, indo contra a constituição inglesa. Quando uma dessas garotas quase morre após essa prática ilegal, a vida dela tem uma enorme reviravolta.
Poderia ser muitíssimo melhor trabalhado. Do mesmo modo que Menina de Ouro trabalhou de uma forma descompromissada com a eutanásia, O Segredo De Vera Drake poderia ter explorado o aborto, um assunto tão polêmico quanto. A pena é que isso não ocorreu. Não dá para se tirar muito do filme já que o principal assunto é sobre a vida e atividade de uma senhora que só queria ajudar os outros com seu enorme carisma, e não sobre atividades ilegais ou confrontos de opinião, o que tornou o roteiro bem entediante. Sem julgá-lo tanto, vemos várias cenas desnecessárias, que se fossem cortadas não fariam a menor diferença para o entendimento do filme, o que o reduziria a pouco menos de uma hora e meia e não duas horas. Eu esperei o filme inteiro para ver uma relação entre a menina grávida da casa em que ela trabalhava como faxineira e a história de Vera Drake. Nada.
Voltemos a atuação. Imelda está ótima. No geral, todo o elenco está, mas ela em especial. Sentia vontade de abraçar Vera Drake a cada hora que seu sofrimento aumentava, a cada hora que sua família crescia com um preconceito diferente sobre a situação dela. Também gostei da atuação de Phil Davis. A fotografia e o cenário eram tão entediantes quanto o andamento do roteiro. A caracterização da tensa e fria Londres só aumentava minha vontade de dormir. Algo que gostei foi a naturalidade que foi criada no filme, vemos a experiência e a convivência de Vera com seus amigos e aprendemos todo o seu dia a dia sem a pressa de outros filmes que insistem em criar uma familiaridade com personagens em apenas 5 minutos.
Um filme que poderia ser grande mais se tornou mais do mesmo. A grande atuação do elenco do filme não cabe na estória que ele quis apresentar, por isso tamanha irregularidade, tamanhas cenas desnecessárias. tamanha mesmice da atuação de Imelda Staunton se comparada a outros filmes. O roteiro consegue estragar um filme sim, O Segredo de Vera Drake está aí para provar isso. É um filme sobre a família de Vera Drake e como a união deles é abalada. Nada mais a acrescentar.
NOTA: 6

Um comentário:

alan raspante. disse...

Ah Gabriel, então desista de Mike Leigh, hehehe. todos os seus filmes em geral, ele dá grande enase para as atuações, o roteiro sempre fica em segundo plano. Porém concordo contigo, quando "vera.." acabou fiquei esperando querendo não acreditar que terminava ali...Enfim, é mike leigh! hehehe
Neem tem recomendo a assistir "Agora ou nunca".

Abs.