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3 de maio de 2011

Frankie & Alice (2010)

Um filme de Geoffrey Sax com Halle Berry e Stellan Skarsgård.

Há sempre um apelo no psicológico para se conseguir criar uma situação num drama que fuja do banal. E não é de hoje que o cinema busca em distúrbios mentais uma base para se criar um filme. Depressões são representadas como consequência de paixões, TOCs surgem para caracterizar um personagem e dividí-los por manias que acabam por trazer o riso, autismos aparecem de modo a aflorar os sentimentos do espectador e trazer uma emocionante história de superação. E o transtorno dissociativo de personalidade permanece dentre as diversas psicopatologias que são exploradas pela mídia, enquanto continua uma incógnita para a medicina. Porém, nesse filme de Geoffrey Sax, ele é explorado de forma a colorir uma personagem perturbada, que não seria nada sem a interpretação de Halle Berry.
Anos 70. Frankie (Halle Berry) é uma stripper que sobrevive dançando numa boate para tentar pagar suas contas, além de continuar se esforçando em sua rede de mentiras para enganar a própria mãe, Edna (Phylicia Rashad). Porém, Frankie tem um passado obscuro que, consequentemente, altera sua vida: a garota tem uma personalidade diferente, a racista Alice. Após ela ser detida pela polícia, um certo psiquiatra de nome Dr. Oz (Stellan Skarsgård) começa a cuidar de Frankie para que ela possa superar os traumas e achar seu verdadeiro eu.
O filme começa bem e consegue colocar em ordem todos os pormenores da situação. Mas o ritmo frenético do início não se adequa bem para as outras partes do filme, deixando-o rápido e sem força para explorar melhor a situação da protagonista confusa. O distanciamento com o público ocorre de uma maneira bastante natural, já que o filme não faz nada para envolver o público com as transformações constantes da personagem Frankie. Além do mais, ele acaba por se embolar em seu desenvolvimento, já que o preconceito e o racismo começam a dominar os assuntos da tela ao invés do transtorno dissociativo de personalidade em sua própria essência. A direção se firma em uma fotografia clara em sua maioria, sendo preenchida às vezes por uma iluminação caótica de uma casa noturna. As formas do diretor criar uma barreira entre o passado e o presente funcionam para a caracterização de Frankie mas aumenta ainda mais a distância entre a obra em questão e o público-alvo. Ilustrando flashbacks como filmes antigos com ações lentas e sons altos, explorando locais escuros e manias de personagens de ângulos distintos, a direção se segura no banal, mas é ofuscada pelo roteiro sem rumo.
Aqui nos lembramos porque Halle Berry ganhou o Oscar em 2002 por sua atuação em A Última Ceia. Sua construção para sua personagem ficou excelente e coube, de uma maneira bem direta, em seu papel - lembrando-se do fato de que, por interpretar diferentes personalidades, ela deveria mudar uma grande parte da construção de uma para entrar em outra. No clímax do filme, é difícil ver a personagem dela mudando de forma de pensamento constantemente, e acompanhar tudo para descobrir a origem de tantos traumas. A segurança que ela demonstra numa hora se parece com o orgulho de outro momento, assim como o medo que exala em suas recaídas. E talvez, por esse nível extremista de sentimentos distintos é que sua atuação seja a única ressalva positiva de Frankie & Alice, por mais afetada que seja pelo ritmo. De um modo ou de outro, ver uma Berry completamente psicótica num drama é bem mais agradável do que a uma heroína felina numa roupa de látex. Phylicia Rashad, Stellan Skarsgård e Chandra Wilson tem atuações agradáveis, mas o título já mostra que o filme é de Frankie, Alice e, consequentemente, Halle Berry.
Transtorno dissociativo de personalidade. O tema já foi explorado de uma maneira extraordinária por diversos títulos, como os filmes As Três Faces de Eva e Desconstruindo Harry, além das séries Sybil e a atual United States of Tara. E talvez, por tamanha competição entre algo que se sobressaia na doença ou por uma tentativa simplista de um relato de superação, Frankie & Alice se torna apenas um trabalho que mostra uma Halle Berry numa atuação extremamente boa, mas que permanece num lugar-comum pela falta de evolução da trama.
NOTA: 4

5 comentários:

Alan Raspante disse...

Já tem um tempo que estou afim de ver e que leio comentários positivos sobre a atuação de Berry, cheguei até a ler que ela poderia concorrer neste Oscar que se passou. Bem, pelo burburinho e pelo fato dela não ter entrado já significa algo. O filme teve repercussão zero e nem participou de premiações até aonde eu sei. Ou seja, percebe-se que o filme não é tão bom... Mas 4? Rs, porra.. broxei agora!

Bem, entendi os argumentos. Mas ainda sim quero ver pela Berry. Espero ao menos simpatizar-me com a obra!

Abs.

Vilmar disse...

Bom filme.

Vilmar disse...

Bom filme.

Thaís Mychelly disse...

Ótimo filme!!!

Katia Claro disse...

Bom eu adoro a Hale Berry mas esse filme achei bem chato perto de A Ultima Ceia é nada! Eu daria nota 3!