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29 de maio de 2011

Cashback (2006)

Um filme de Sean Ellis com Sean Biggerstaff e Emilia Fox.

Relacionamentos são duros para se suportar quando eles não dão mais certo. Um relacionamento no ápice de sua ruína pode ser um desastre para ambas as partes. E quando ele finalmente desaba, a única coisa sensata a se fazer é não insistir mais em colar os pedaços de algo rachado, e sim dar tempo ao tempo, para que os resquícios vão embora. Cashback é um filme assim: um relacionamento e seu desabamento, e a tristeza de se suportar ele presente em cargas horárias e alterando vidas aos poucos. E, por mais que não seja uma obra prima inesquecível, é um filme divertido em seus diversos momentos despretensiosos.
Ben Willis (Sean Biggerstaff) é um estudante de arte que vive um relacionamento já arruinado com sua namorada Suzy (Michelle Ryan). Quando Ben revela para ela o que realmente sente sobre ambos, eles terminam, o que acarreta numa insônia para Ben. Para passar as horas noturnas extras que perde com sua falta de sono, ele encontra um trabalho num pequeno supermercado e acaba, rapidamente, se adaptando à rotina do local e a seus companheiros de trabalho. Enquanto todos trabalham, cada um imagina uma habilidade especial para fazer o tedioso turno da noite valer a pena. Ben começa a imaginar que consegue parar o tempo para captar toda a beleza de um instante em seus diversos ângulos. Ao mesmo tempo, sua vida começa a voltar aos trilhos graças a Sharon Pintey (Emilia Fox), a garota do caixa.
Aqui tudo está explícito na tela. Não há metáforas fortes o bastante para a trama se construir em cima e se assemelhar a um caso que afeta o mundo todo, há um bom roteiro que consegue prender o espectador nas partes sem ambição de Cashback, mas que falha em sua prática. O filme, ainda assim, consegue funcionar em seus 100 minutos de duração, com uma trilha sonora simples, que ajuda a manter a sensação agradável de uma comédia-romântica adolescente; e uma fotografia clara o bastante para as minúcias do filme se deixarem expostas. Não há nenhum detalhe a ser escondido. Aqui, o tempo funciona como um castigo. Dar tempo ao tempo nem sempre é simples quando o tempo começa a brincar com você. Se você para de dormir, o tempo se duplica e torna ainda mais insuportável. O personagem principal, Ben, é uma pessoa que não sabe o que fazer com o tempo, o que é até interessante devido a sua característica de poder congelá-lo. Ele congela o tempo para poder desenhar uma beleza que possa substituir a carência de descanso dele. Um descanso da depressão, um descanso do tempo.
Os atores funcionam em cena. Ninguém tem uma atuação inesquecível, mas todos são versáteis o bastante para mesclar comédia-romântica com drama nas maiores partes, por mais que isso soe exagerado. Sean Biggerstaff e Emilia Fox funcionam individualmente, mas juntos a química entre eles parece bastante forçada. A narrativa em primeira pessoa deixa o filme com uma característica mais descontraída, e é aí que estão as melhores cenas. Quando eles não querem fazer de conta que o roteiro é incrível envolvendo uma partida de futebol bastante esquisita, um personagem misterioso que surge do nada sem qualquer aprofundamento ou um estereótipo de um chefe que poderia ter saído de um episódio d'Os Trapalhões, ele finalmente se torna incrível. É incrível as sacadas que ele fez entre um relacionamento afetando toda uma vida, mudando toda uma rotina. É incrível o trabalho para tudo parecer bastante natural, e os trejeitos dados aos personagens também se aplicam nesse trabalho. A edição é a coisa mais incrível de Cashback, pois, num filme sem muita verba, eles conseguem transportar um personagem do meio da rua até a sua cama sem nenhum corte. É algo lindo, não como filmes recheados de efeitos especiais onde não se pode distinguir o real, mas como se o real fosse aquilo mostrado na tela. Em certo ponto, até acreditamos na habilidade de parar o tempo.
Cashback, primeiramente, já havia figurado no Oscar de melhor curta-metragem em 2005. Sim, antes de tudo, o filme tinha aproximadamente os 20 minutos iniciais. Ao ver essa repercussão, o curta virou um longa. É uma tática realmente perigosa, mas ele consegue convencer e agradar aos menos despretensiosos e sem nenhuma expectativa. Por mais que tenha conseguido se segurar alongando sua duração, não acho que o filme valeria a pena com mais de duas horas. De qualquer modo, está de parabéns. Não é qualquer filme independente que consegue retratar tempo, tédio e amor combinados num roteiro que poderia dar certo se mais explorado. Culpem a falta de recursos, mas Cashback, como ideia, ainda é um primor.
NOTA: 6

5 comentários:

Adecio Moreira Jr. disse...

Confesso que não conhecia.

Pela capa, eu já diria que é um desses filmes indies que estão se tornando verdadeiros hibitués nos cinemas. E fazendo sucesso.

Esse filme deve ter aquele sotaque britânico que eu adoro.

^^

Hugo disse...

Eu daria uma nota maior principalmente pela sensível história e o simpático casal principal.

Concordo que a idéia é ótima e o filme apenas competente.

Abraço

Alan Raspante disse...

Então, é interesante, mas não a ponto de ficar com aquela vontade de ver neste exato momento... Bem, se rolar uma oportunidade, quem sabe nao é mesmo?? hehehe

Abs.

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Emmanuel Chaves disse...

Filme ruim. Mal dirigido. A fotografia e filmagem são regulares, Os atores interpretaram razoavelmente seus papéis, mas de resto deixa muito a desejar. Roteiro mal explorado e confuso, muitas cenas que se contradizem e outras que parecem simplesmente aleatórias e sem sentido nenhum. De 0 a 5 daria 3 ou 2,5.