Pages

16 de outubro de 2010

Longe Do Paraíso (2002)

Um filme de Todd Haynes com Julianne Moore e Dennis Haysbert.

Do jeito que eu babo ovo para Julianne Moore, não é surpresa se eu disser que ela é um dos maiores atrativos do filme. Então que fique subentendido. Mas o outro atrativo do filme foi o quanto ele ficou belo. A fotografia, a maquiagem, o figurino e a trilha sonora foram tão bem trabalhados que eu me sentia vendo um filme da década de 50 ao invés de um de 2002. E a atuação de todos não deixou a desejar. A única coisa que não me convenceu foi o roteiro. Embora eu seja totalmente a favor de criarem filmes com a temática apresentada em Longe Do Paraíso e embora tudo na obra tenha sido bem trabalhado de forma a representar a sociedade homofóbica e racista dos Estados Unidos na década de 50, o tema já é muito trabalhado atualmente, que me deixou novamente com a sensação de que já tinha visto tudo, o que tirou o ritmo do filme.
Cathy Whitaker (Julianne Moore) é a típica dona de casa que possui uma vida perfeita. Casada com Frank (Dennis Quaid), seu marido atencioso, tem dois filhos saudáveis, uma belíssima casa, apenas mais uma esposa troféu. Além do tudo, ela ainda promove as mais famosas festas de região, que são comentadas por todos. Toda essa rotina da vida perfeita a fazem ser um ícone a ser seguido pelas mulheres de sua cidade, Hartford. Porém, no dia em que ela vai deixar o jantar de seu marido no trabalho, ela o vê beijando outro homem. Vendo toda essa sua vida perfeita se estilhaçar, ela fica emocionalmente perturbada e acha um refúgio na figura de seu jardineiro negro, Raymond Deagan (Dennis Haysbert).
Como falei anteriormente, achei um bom roteiro. O tema do filme ainda é algo que precisa ser aprendido, todo filme sobre preconceito merece ser visto por aqueles que ainda o cultivam para ver se ainda sobra algo. Mas me senti vendo apenas mais um entre todos os outros existentes, e os efeitos utilizados para deixar o filme com um visual mais antigo só serviram para caracterizá-lo ainda mais. Tirando toda essa banalização de um roteiro preconceituoso na indústria cinematográfica, é uma boa temática. Ainda conseguiu explorar a imagem de um homem na família numa época em que a sociedade era claramente patriarcal. E o que eu mais achei engraçado em todo o filme é o tratamento da homossexualidade como uma patologia e também como o preconceito racial vencia, de longe, o sexual. Não menosprezando o homossexualismo, mas Dennis Quaid traía compulsivamente sua mulher com outros homens e a sociedade apenas tratava com pena. Mas só por Julianne Moore manter uma amizade com um negro, todos, sem qualquer diferença racial nessa hora, a viam como uma traidora e a tratavam com o máximo do ódio possível.
Julianne Moore está ótima. Me lembrou muito sua personagem em As Horas em alguns momentos. A dona de casa que tinha a vida perfeita e mascarava os sentimentos de uma sociedade organizadamente preconceituosa. Dennis Haysbert também merece uma ressalva, assim como Dennis Quaid. Não uma lembrança tão grande e memorável como foi Moore, mas ainda sim tiveram uma boa atuação. A técnica utilizada foi ótima. Toda a leveza da fotografia, a suavidade das cores utilizadas no figurino e na maquiagem do filme, o enquadramento e a doce trilha sonora transportam o espectador para a época que o filme deseja que você vivencia.
Um filme agradável. Mas cansativo. Toda a doçura utilizada em Longe Do Paraíso até funciona para demonstrar uma vida calma e deixar o filme mais familiar, mas o faz perder o ritmo bem rápido a cada cena cortada e toda essa familiaridade o faz confundir com um filme clichê. Um bom filme, eu recomendo pois é uma temática valiosa e uma atuação imperdível da protagonista, e toda a edição deveria ser conferida para entenderem a leveza de que falo. Mas não é o melhor filme sobre homofobia e preconceito.
NOTA: 6

2 comentários:

alan raspante. disse...

Gabriel, estou doidíssimo por este filme, sempre leio críticas boas a respeito, sem contar que tem minha amada Julianne Moore xD

Abs.

Cristiano Contreiras disse...

Sou fã de Moore também, mas esse filme, quando vi, achei meio chato e um pouco fraco em sua abordagem. Lembro muito pouco. Vou rever! abs