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3 de agosto de 2011

A Dama na Água (2006)

Um filme de M. Night Shyamalan com Paul Giamatti e Bryce Dallas Howard.

Até que ponto a justiça é realmente justa? Até onde um conto pode ser crível? Como se devem lidar com as críticas negativas? Há algo mais importante do que a fé, e, do mesmo modo, mais alienante? Todos esses pontos são trazidos à tona em A Dama na Água, o difícil do filme foi aprofundar as ideias de uma forma madura o bastante, definindo o público-alvo, determinando o tom da narrativa e criando personagens que possuam veracidade por trás de atos. O filme do criativo Shyamalan é a prova viva de que nem só um diretor é suficiente para um filme ser bom.

Cleveland Heep (Paul Giamatti) é um homem solitário que vive e trabalha como zelador num prédio cheio de moradores estranhos, cada um com sua particularidade. Numa noite, ele encontra uma pessoa que acaba mudando sua vida: uma menina seminua, que mora na piscina do apartamento, chamada Story (Bryce Dallas Howard). Enviada numa missão para que um determinado humano possa começar a ter esperança e tenha a chance de mudar o futuro, Story se encontra num grande perigo, já que sua espécie - as narfs - são perseguidas por um tipo de lobo, cujo objetivo é eliminar as narfs. Cleveland, conhecendo aos poucos a história da jovem, embarca com ela em sua busca do humano e tenta fazer com que ela volte para o seu mundo segura, e ambos acabam tendo uma fantasiosa jornada de surpresas.

Talvez o que tenha tornado A Dama na Água algo tão abaixo do esperado tenha sido a prática separada da teoria. Não há muito do que se reclamar do roteiro, Shyamalan é considerado por muitos uma das mentes mais criativas em atividade atualmente, e todos os assuntos que ele direciona em seu longa-metragem poderiam ser bem explorados em seu conto de fadas. A hierarquia no mundo imaginário que ele cria para dar vida à sua dama na água é um exemplo excelente para figurar o mundo humano. As narfs são o povo que sofre com a decisão dos extremos; os lobos são a violência, usada para um objetivo perseguido com afinco e que acaba quebrando as regras; e os juízes, representados por macacos cruéis. A justiça, até fora dos padrões de normalidade, é justa? A injustiça é apenas um problema vivido pela raça humana? Mas, existe alguma outra raça consciente da justiça? A coisa que a ficção explorada no filme mais exige é a fé. A crença no absurdo, a fé no irreal, a inocência e a ingenuidade de se acreditar. Talvez, por essa subestimação do público reduzida em um ambiente onde o surreal poderia ser visto como algo maior do que uma atitude escapista, o filme não tenha atingido o seu objetivo. Aqui, para tudo funcionar como se deve, tem de haver uma recepção imediata para todas as informações jogadas na tela durante os 110 minutos da sessão. Não é a toa que a protagonista se chama Story - história em inglês. Tem de se crer nas palavras e nos diálogos para uma adesão positiva ao proposto.

Além da fé e da justiça, Shyamalan acaba trazendo a comicidade para o filme ao mesmo tempo que faz uma crítica aos críticos: dois coelhos com uma cajadada mal-dada. Enquanto ele traz um personagem incrivelmente entediante para fazer o papel do crítico de cinema, o lado cômico desse personagem em prever tudo o que acontece no filme é desnecessário. Talvez não para o realizador, mas para muitas cenas. Afinal, o trabalho dos personagens é algo bastante instável no longa. Cleveland é um zelador traumatizado com seu próprio passado, que cria um drama para ele próprio ter sua parcela de sofrimento no longa. O esteriótipo é tão aparente nos personagens que eles quebram qualquer crença que a história possa ter promovido. Não culpo aqui a Paul Giamatti e Bryce Dallas Howard - que, afinal, fazem um trabalho competente, com um destaque para a facilidade dramática de Giamatti e pelas caras de desespero e inexpressão de Dallas Howard - mas às suas motivações em cena. É bastante difícil crer numa história surreal quando os personagens envolvidos não chegam perto da normalidade. Fica bem mais fácil acreditar em mulheres que vivem nas piscinas tentando fazer um humano despertar para o sentido da vida do que em um menino que vê mensagens subliminares em caixas de cereal, e que possui um pai semelhante, tendo presságios em palavras-cruzadas. Até o próprio Shyamalan, que aparece como um coadjuvante-principal na história, tem sua fatia de superficialidade na interpretação.

Como o roteiro é cheio de passagens desnecessárias na narrativa de um conto de fadas e as atuações beiram o clichê do gênero do suspense, o que resta é apenas a estética - trabalhada com um primor único. A narrativa do filme não é uma das melhores. Na primeira cena do filme, uma narradora acaba ilustrando o que virá a acontecer a seguir por meio de uma animação folclórica. Aos poucos, o que foi omitido da história principal, vai sendo contado os detalhes do resto, tudo dependendo das reações de uma chinesa mal-humorada. Mas o resto é colorido com as cores do diretor. A fotografia azulada de Christopher Doyle ajuda a manter a atmosfera de canção de ninar dark que o filme assume. A trilha sonora do parceiro de Shyamalan, James Newton Howard, acompanha o drama de cada personagem e a jornada de Story para um mundo melhor. Não se pode dizer que Shyamalan é desleixado em seus filmes. Observe a apresentação dos personagens, feito de forma sutil, como se eles fossem aparecer apenas por uma vez e sumissem ao longo da trama; veja a mudança de foco para filmagens dentro d'água, mudanças de planos para ilustrar a luta entre Cleveland e os vilões que buscam a morte de Story: tudo está perfeito. A Dama na Água acabou sendo mais uma experiência bastante pessoal, um filme voltado mais para o diretor do que para o público em si.

O filme acabou sendo um conto de fadas infantil demais para os adultos e sombrio demais para o público infantil. A fantasia acaba se tornando um atrativo em algumas histórias, enquanto em outras é um empecilho que apenas atrapalha a evolução de personagens e de ações. Infelizmente, e para combinar com a qualidade dos filmes recentes de M. Night Shyamalan, A Dama na Água sofreu da segunda situação. Numa história de suspense num apartamento que poderia render um filme tão incrível quanto O Sexto Sentido, e num oceano de fantasias e lendas que viraria algo infinitamente melhor que a adaptação do desenho Avatar: O Último Mestre do Ar para os cinemas, a junção de ambos os estilos não funciona aqui do melhor modo possível. O que funcionou no thriller de fantasias de Guillermo del Toro, O Labirinto do Fauno, aqui virou um filme do diretor indiano feito para ele mesmo e para quem acredita em seu discurso.

NOTA: 3

15 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 (2011)

Um filme de David Yates com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint e Alan Rickman.

Tudo acaba aqui. Em 10 anos, o bruxo mais famoso do mundo cresceu na frente de fãs e espectadores da saga mais lucrativa da história. E a legião de fanáticos pelas histórias de Harry Potter enfrentaram ontem, mais especificamente hoje nas primeiras horas da manhã, uma confusão e horas de espera em filas do mundo todo para poder assistir o último capítulo da saga. E posso dizer que não saíram decepcionados. Os fãs xiitas gostaram da história assim como em qualquer outro filme, por mais que a adaptação não tenha se saído aos moldes mais fieis do livro. E os espectadores 'trouxas' se encantam facilmente pelo universo de magia que agora tem uma utilização incrível dos efeitos especiais e decidiu mostrar personagens coadjuvantes em cenas épicas. David Yates novamente acerta na direção de Harry Potter e faz, do último capítulo da história, um dos melhores e memoráveis.
Após destruírem algumas horcruxes de Lord Voldemort (Ralph Fiennes), os três amigos Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger (Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson) ainda precisam localizar mais quatro pedaços da alma do lorde das trevas para, enfim, derrotá-lo. Mas a batalha fica cada vez mais difícil, já que Voldemort roubou a Varinha das Varinhas do falecido Alvo Dumbledore (Michael Gambon) e é seguido pelos comensais da morte, um bando de bruxos perversos que não titubeia em usar magia negra. Ao mesmo tempo, Severus Snape (Alan Rickman) assume a direção da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Porém, ele não conta com uma rebelião dos ainda simpatizantes pela causa de Harry Potter.
Se em Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 David Yates fez uma coisa parecida com um "road movie", com personagens andarilhos alternando por visuais estonteantes em montanhas e rios, apostando muito mais no drama pessoal dos três protagonistas, a Parte 2 virou um filme de guerra, e isso fica claro nos primeiros momentos da trama, alternando entre o antagonista e o protagonista da série. O primeiro capítulo do fim mostra, enquanto há uma alternância de cenário, um foco exclusivo em Harry, Rony e Hermione apenas, o que deu uma chance grande para a explicação dos motivos e dos dramas entre relacionamentos de amizade e amor dos trio principal. O segundo capítulo aposta em algo mais amplo. Outros personagens que não possuíam muito destaque na trama acabaram assumindo maior participação na história, seja pela firmeza que os atores encarnaram em seus pequenos momentos de glória, seja porque o roteiro exigia uma explicação melhor da motivação de algum caráter. Um grande exemplo de alguém que consegue atiçar a atenção do público é Maggie Smith, encenando sua personagem Minerva McGonagall. Em apenas uma sequência de feitiços, transfigurações e numa quebra da dureza de sua personagem para encurtar seu distanciamento com o espectador, ela mostra para que veio.
O fato no filme é que ninguém fica de fora. Até os que menos aparecem surgem em seus melhores momentos para emocionar fãs sedentos por algo acima das expectativas do último capítulo. Natalia Tena e David Thewlis aparecem em apenas uma cena, mas o movimento que fazem demonstrando o amor entre seus personagens - a metamorfomaga Ninfadora Tonks e o lobisomem Remus Lupin - é um encanto. O foco mudou. Daniel Radcliffe consegue mais atenção do que nos outros filmes, e sua atuação realmente melhora nesse último filme. Sua veia dramática se conecta mais fácil com o público, e é ele que carrega o drama de toda a trama, ele é o ponto de encontro de todos os sentimentos. Rupert Grint e Emma Watson continuam fazendo um ótimo trabalho. Ao passar dos anos, o trio se tornou mais competente e evoluiu em suas interpretações. Agora o trabalho dos três é emocionar, e não aparecerem como carinhas bonitas, inteligentes e engraçadas. Aliás, falando na melhora óbvia dos personagens, o filme aposta em outra coisa: a nostalgia. Nos momentos finais, a tristeza do fim contagia ao mesmo tempo em que flashbacks surgem caracterizando imagens de outros filmes. Isso sem contar em óbvias referências aos outros filmes da saga, que trazem uma memória dolorosa e confortante ao espectador.
Por melhor que o trio esteja, ele ainda é ofuscado em algumas cenas pela experiência ou pelas ações de outros. Ralph Fiennes, por exemplo, continua ótimo em sua odiosa caricatura de Voldemort. Helena Bonham Carter é um personagem tão maldosamente engraçado que é uma diversão vê-la em cena, com sua voz irritante e movimentos firmes. Um personagem que, finalmente, achou um espaço para se sobressair em cena foi Matthew Lewis, o subestimado Neville Longbottom. Nas cenas em que ele aparece liderando um grupo é difícil perder a imagem do garoto medroso do primeiro filme. E quando ele chega no seu auge, com uma pequena ajuda da edição de arte, em movimentos em câmera lenta para captar todo o ocorrido, a plateia vibra. E há, finalmente, o personagem que rouba a cena. No caso, esse papel ficou com Alan Rickman. Depois de 10 anos interpretando o sombrio professor Severus Snape, o homem sem emoção que ri apenas para acentuar seu sarcasmo, Rickman atinge um grau de extrema importância para a trama, encarnando numa interpretação dolorosa que o transforma de vilão para herói em uma fração de segundos. Vê-lo chorar, quebrando toda a amargura do seu personagem, é belo.
David Yates faz um trabalho incrível. Uma edição impecável acompanhando cada segundo da trama, mudando as cenas para a subjetividade de determinado personagem na hora mais oportuna, às vezes contrastando os ambientes, às vezes complementando o que faltava em um no subsequente. A trilha sonora do ótimo Alexandre Desplat acentua os momentos de ação da trama, levando os espectadores a uma experiência única assistindo e sentindo ao mesmo tempo, com os altos e baixos de sua música. E a fotografia, que agora adquire um tom mais claro do que no primeiro capítulo, é responsável pela beleza dos cenários e dos efeitos visuais. Os feitiços se tornam cada vez mais reais. E as cenas da penseira, que aparecem como que pintadas por uma tinta, são grandiosas, cobertas por uma iluminação diferente da observada no resto do filme. Talvez o único pecado, além da diferença das atuações, seja o ritmo corrido. É aqui que As Relíquias da Morte - Parte 2 se difere da Parte 1. Enquanto o primeiro capítulo do fim mostrava detalhadamente, sem precisar correr, a destruição de uma horcrux, apostando apenas no teor melodramático das relações e num visual lindo, o segundo capítulo mostra, apressadamente, o que ocorre para a saga poder dar um fim em pouco mais de duas horas.
Filme feito para arrancar lágrimas. Seja no final, um salto no tempo desnecessário para buscar a nostalgia do primeiro filme da série, seja em detalhes pequenos que surgem nas maiores cenas, seja num resultado de todas as atuações, seja nesse desfecho da saga que acaba com outros 7 capítulos mágicos. Depois de Chris Columbus, Alfonso Cuarón e Mike Newell assumirem a direção dos primeiros capítulos dessa franquia de altos e baixos, é David Yates quem comanda o elenco para um desfecho digno do que foi Harry Potter. Um belo filme feito para agradar a adultos e crianças, a fãs e a simples espectadores, a bruxos e a trouxas.
NOTA: 9

2 de abril de 2011

Sucker Punch (2011)

Um filme de Zack Snyder com Emily Browning, Abbie Cornish e Scott Glenn.

Podemos procurar na filmografia de Zack Snyder vários indícios de que Sucker Punch seria uma obra perfeita para ele realizar. Seus filmes, como 300 e Watchmen, possuem lutas coreografadas, violência distribuída entre cenas de ação e um contorno filosófico na história. Alguns fatores acabaram favorecendo o resultado que saiu agora nas salas de cinema, mas outros acabam com o filme de forma irreparável. As lutas de Sucker Punch transportam o espectador para um mundo fantasioso, que até agrada visualmente em meio a tanta ação, é quase um sonho nerd. Mas a base que ele tenta estabelecer ao criar devaneios com uma lógica a ser seguida acaba com o filme, já que a narrativa acaba empobrecendo tudo o que ele criou esteticamente para agradar o público.
Após a mãe morrer e o padrasto matar a irmã e tentar matá-la, Baby Doll (Emily Browning) leva toda a culpa pelo marido da mãe, que procura uma forma fácil de ganhar a herança da enteada. Com isso, ela é mandada a um manicômio e colocada numa lista de espera da lobotomia para que o padrasto fique com toda a fortuna. Nos cinco dias restantes até a sua cirurgia, ela cria um ambiente escapista para poder sobreviver na realidade do hospício: todo o ambiente é transformado num bordel, onde ela, Sweet Pea, Rocket, Amber e Blondie (Abbie Cornish, Jena Malone, Jamie Chung e Vanessa Hudgens, respectivamente) procuram a liberdade do lugar liderado por Blue (Oscar Isaac).
Uma forma perfeita de se descrever o novo filme de Snyder é como um videoclipe terrivelmente longo. A primeira cena, que mostra o prólogo da obra através de um plano fechado, cenas em câmera lenta e ações destrinchadas acompanhadas por uma fotografia escura e pela música Sweet Dreams (Are Made Of This), parece um vídeo alternativo feito em homenagem ao sucesso da banda Eurythmics. As sequências apenas confirmam isso, já que a realidade e as fantasias se revezam ao som de Alisson Mosshart, Queen e Björk, e são acompanhadas por elas durante bom tempo da trama, deixando 60% do filme completo entre cenas de ação que poderiam ser melhor aproveitadas em algum RPG, músicas com uma batida forte para acompanhar golpes das mais variadas artes marciais e um cenário, figurino e maquiagem extremamente góticos. Uma dica? Não vá ao cinema, espere sair em DVD. Quem sabe passe até na MTV.
A atuação extremamente descartável da maioria do elenco não constitui muito perigo para o resultado final, já que tudo é movido por efeitos computadorizados em mundos distantes. Mas de qualquer modo, sempre vale a pena ressaltar um ou outro que realmente me fizeram crer que aquele lugar era tanto um hospício quanto um bordel, não apenas cenários variados de Call Of Duty e Shrek. No caso, apenas Abbie Cornish parecia querer mostrar para o que veio, já que sua personagem é a única do longa inteiro que apresenta uma personalidade consistente e não um estereotipo bobo. O resto do longa-metragem se constitui em dois aspectos: o principal, que é a única certeza que temos do filme inteiro - ele vai ser um filme de ação feito para entreter e agradar, não para causar reflexão. Tanto que as três realidades podem agradar a todos que forem ver o filme. O hospício hostil revela o ambiente racional do filme. As outras fantasias revelam uma atitude feita para suportar o peso de uma realidade. Mas, para o filme subir no conceito de muitos, as fantasias se tornam fetiches ou sonhos no auge da loucura. Um bordel para agradar o público masculino e um cenário de caos entre castelos e um campo de guerra para agradar quem foi ver a ação. O segundo aspecto se constitui numa dúvida superficial que ele joga logo no início: todo esse nonsense terá algum significado metafísico ou transcendente envolvendo questões existencialistas?
Fui ver Sucker Punch esperando um filme de ação. O filme jogou em minha mente que ele seria mais do que isso. Mas, no fim das contas, Sucker Punch foi apenas mais um filme de ação. O visual é realmente invejável, tudo no fim é bem bolado para agradar a sessão. Por mais que essas tentativas funcionem no começo, o excesso desse recurso estético acaba cansando, seja no tom escuro das guerras ou o incrível contraste de cores vivas do cabaré. Uma curiosidade, por mais escuro que seja, a fotografia mais sombria é a da realidade do manicômio, não a das cenas violentas. No fim das contas, Sucker Punch é apenas um punhado de cenas de luta com trilha sonora ao fundo, o resto é descartável. Seria um filme melhor se Snyder se lembrasse que, embora apenas uma fantasia seja mais trabalhada, ele tem mais dois mundos para aprofundar.
NOTA: 5

17 de janeiro de 2011

O Labirinto do Fauno (2006)

Um filme de Guillermo Del Toro com Ivana Baquero e Sergi López.

Guillermo Del Toro conseguiu. Após dirigir Blade II, Hellboy e A Espinha do Diabo, via-se logo uma indicação do diretor para o mágico e o fantasioso. Com O Labirinto do Fauno, isso é comprovado rápido. O filme inteiro é uma luta entre a crueldade da realidade e a fantasia infinita da ingênua mente de uma criança, mas cabe apenas ao espectador dizer qual é qual no que lhe é apresentado. Del Toro criou um mundo mágico com todos os direitos que podem ser imaginados: fadas em todos os cantos, faunos, reinos belos, um cenário espetacular que circula entre banquetes e florestas e uma magia original. Mas ele também cria a crueldade em seu mundo a partir de monstros caricatos e da mentira e a maldade que existem em qualquer lugar. Mas, apesar da imperfeição, das terríveis criaturas e das mortes brutais apresentadas em cenas fortes, o mundo imaginário ainda é, indubitavelmente, um lugar melhor que o mundo real.
Estamos na Espanha do século XX, onde a Guerra Civil termina oficialmente, mas os rebeldes ainda lutam por seus direitos contra os oficiais. É nesse cenário que surge Ofelia (Ivana Banquero), uma menina inocente que ainda acredita em sua literatura de fantasia. A menina, junto com sua mãe Carmen (Ariadna Gil), vai para o local principal da iminente batalha para viver com o padrasto, o capitão Vidal (Sergi López), um fascista cujo objetivo principal é exterminar os guerrilheiros. Nesse novo local, Ofelia se vê sem a companhia da mãe e deslocada se não fosse por Mercedes (Maribel Verdú), a empregada que também é a informante dos rebeldes. Numa noite, a menina sai de casa em perseguição a uma fada e acaba parando nas ruínas de um labirinto existente na área. Ao seguir a criatura, ela chega ao centro do labirinto, onde descobre uma passagem secreta que a leva a um fauno (Doug Jones). Esse fauno lhe diz que ela é a princesa de um mundo subterrâneo, mas para poder voltar para casa, ela precisará cumprir 3 provas decisivas, mostrando sua verdadeira identidade.
O filme trata de usar um conflito real para explicar um conflito imaginário, assim como a maioria das cenas apresentadas no longa. Enquanto a guerra civil permanece forte, a batalha travada entre o real e o irreal fica mais forte com o passar do tempo. Observamos o tempo inteiro o quanto Ofelia se sente segura perto de seu mundo ideal, mesmo que no caminho ela tenha de ver sapos gigantes ou monstros carnívoros, mas que quando ela é forçada a abandonar seu porto seguro e confrontar a realidade cruel, representada nesse caso por Vidal, ela fica ameaçada no ambiente hostil que é a casa dos fascistas. O fascismo, no caso, é o mundo real em que Ofelia se vê presa por laços familiares, já que a mãe é a pessoa que ela mais preza no mundo mas essa se vê segura exatamente onde a filha vê o perigo. O mundo subterrâneo é um mundo novo para a criança ingênua, é o lado dos rebeldes que está prestes a eclodir, mas se mantém na guarda. Fora isso, há também a personagem Mercedes, que finge ser uma fascista, mas se vê logo que o ambiente dela é dos rebeldes, por isso entende tanto o lado da imaginativa criança, enquanto o resto a intolera.
Os personagens são a força principal do longa, pois ajudam a sustentar o filme com suas características marcantes. Mercedes, feita com seriedade por Maribel Verdú, é o lado dos rebeldes, o porto seguro da criança Ofelia e do filme inteiro. O capitão é o que Ofelia tenta fugir. Sergi López mostra o quão bom ator ele é ao interpretar o cruel capitão da realidade, um homem marcado por um legado de destruição que se vê obrigado a passar essa herança miserável para o seu filho. A criatura do fauno, que deveria ser um guardião exemplar da natureza, se mostra tão instável quanto o lado dos rebeldes. Prova de que, nem no mundo ideal as coisas são perfeitas. Afinal, mesmo com as promessas feitas, há um mundo perfeito e harmônico? Ofelia é um meio termo entre as duas coisas. Seu coração e sua mente a levam para seu mundo novo, mas o sangue que grita em seu interior mostra que ela ainda tem um lado que é a humanidade. Sim, pois ela prova ser "humana" ao ver a imperfeição na personalidade do fauno, mais humana ainda por aceitar um lado que a renega e renegar um lado que a aceita. Ivana Barquero surge aí com uma atuação delicada e consegue segurar o filme com a força de sua personagem.
O filme, além do mais, conta uma fantasia para adultos, pode-se dizer assim. É um mundo mágico com a violência do mundo real. A estética ajuda bastante nesse caso, já que o cenário foi realmente construída em certas cenas, e a fotografia escura o complementa revelando o lado sombrio em ambos os mundos em que a protagonista transita. A maquiagem está, realmente, impecável, ao lado dos magníficos efeitos visuais vistos ao longo da sessão. Ela realmente mereceu o Oscar, pois nunca vi tanta veracidade no falso. O fauno traiçoeiro com movimentos mecânicos, pele escura e sombria e personalidade indecifrável está ótimo, mas não tão bom quanto a criatura vista no banquete, que carrega os olhos nas mãos e come o que vê pela frente, ambos interpretados por Doug Jones.
O Labirinto do Fauno nos faz esquecer, por mais que transite continuamente em suas cenas de guerra e violência, de um mundo caótico para podermos mergulhar na sensibilidade que é a imaginação fértil de uma criança. Guillermo Del Toro criou uma fabúla com fatos reais como fatores explicativos, e foi uma fórmula que deu muito certo, já que a distinção entre realidade e imaginação fica pelo espectador, pois o filme não te mostra um caminho para se acreditar. A cena final pode ser muito bem o fim de um conto de fadas assustador quanto o fim de uma história verídica extremamente triste. Qual é a certa fica por sua conta.
NOTA: 10

29 de novembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 (2010)

Um filme de David Yates com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint e Ralph Fiennes.

Alguns dizem aleluia, outros choram de emoção. A saga de Harry Potter está chegando ao fim, chegará ao fim em julho de 2011. Sou fã de Harry Potter, sempre gostei das histórias dos livros. Mas no cinema são outros quinhentos. Por eu criticar excessivamente os filmes por uma atuação sem sal dos protagonistas, por uma não fidelidade ao livro, por uma duração curta se for comparada ao nível de informações que a película nos traz, achei uns dois filmes relativamente bons. Harry Potter e as Relíquias da Morte mostra alguns problemas que sempre vieram nos filmes do bruxo: a duração é pouca para muito. Mas a excessiva fidelidade ao livro transformam esse último filme num dos melhores da franquia.
Harry Potter (Daniel Radcliffe), junto com seus amigos Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson), precisa achar um jeito de derrotar Lord Voldemort (Ralph Fiennes) neste último e decisivo capítulo de sua história. Após a morte de Dumbledore (Michael Gambon), Harry tomou conhecimento das horcruxes, objetos em que Voldemort depositou um pedaço de sua alma para que ele pudesse voltar à vida se fosse derrotado. Agora a única chance dos três amigos é destruir todas as horcruxes de Voldemort que acharem para, enfim, matar o poderoso Lorde das Trevas. Eles não estão sozinhos nessa árdua jornada, mas o inimigo fica mais forte à medida que o tempo passa, tomando o controle do mundo dos bruxos.
A atuação melhorou incrivelmente dos últimos filmes para esse, provavelmente o amadurecimento dos atores que não são mais jovens. Há uma presença notória em Rupert Grint, que está excelente, agora mais independente do que nunca, já que sai da sombra de Harry Potter e cria algo sólido para representar. Emma Watson e Daniel Radcliffe tem uma atuação boa, uma pena que Rupert não passe mais tempo com eles no longa. Ralph Fiennes está incrível em seu personagem altamente caracterizado. Além desse grande elenco de peso, há a presença da ótima Helena Bonham Carter, que eu nunca vou parar de achar ótima, que faz a excêntrica Bellatrix Lestrange; de Alan Rickman como Severo Snape; e de Imelda Staunton, representando a dogmática Dolores Umbridge.
Algo que percebi no filme foi uma duração não proveitosa do que tinham. Soube que essa última parte foi dividida em duas para poder ter mais fidelidade ao livro, que não poderia ser cortado. A fidelidade está presente, mas as excessivas cenas de acampamento ao longo da sessão me deixaram com uma sensação desnecessária no filme, de que as tirando não iria interferir em nada e ainda colocar mais elementos da literatura no cinema. Embora as cenas estivessem criando monotonia no ar, foi uma boa tentativa de colocar uma fotografia, trilha sonora e cenário bem mais densos do que os vistos nos outros filmes. A história é um reles conto de aventura, cheio de efeitos bem trabalhados com ângulos ótimos. David Yates soube mesmo como dirigir com maestria. O roteiro me lembrou em muitas partes, principalmente na cena no Ministério da Magia, um apelo à Segunda Guerra Mundial, quase conseguia ver a suástica nas capas das revistas.
O último filme de Harry Potter é uma mostra da discriminação através de comparações com uma linguagem fácil de ser entendida. Há, obviamente, uma rixa imensa entre os bruxos e os "trouxas", até mesmo os bruxos nascidos trouxas entram na lista de mais procurados. Há uma cena imperdível de Helena Bonham Carter torturando Emma Watson, que deixa isso claro. E isso facilita o entendimento do filme até para os que não acompanham a saga. Embora haja informação demais para um curto período e para os mais leigos poderem criar um entendimento fácil do filme, é um dos melhores da saga. Dou os créditos do sucesso de As Relíquias da Morte ao ótimo David Yates, me fez assistir um Harry Potter de vários ângulos com sua direção impecável e para os atores, em especial Rupert Grint e Ralph Fiennes que me contagiaram com um trabalho bem feito.
NOTA: 8

7 de agosto de 2010

Edward Mãos De Tesoura (1990)

Um filme de Tim Burton com Johnny Depp e Winona Ryder.

Um filme com aquela "moral da história". Agora só me resta saber para quem foi feito: para crianças que precisam aprender essa valiosa lição ou para adultos intolerantes? Eu não tive infância suficiente para poder ver Edward Mãos de Tesoura na Sessão da Tarde, mas o que importa é que a lição que ele passa continua a mesma. E agora, vendo toda a filmografia de Tim Burton (contando os épicos O Estranho Mundo de Jack, Beetlejuice e seu remake colorido de A Fantástica Fábrica de Chocolate), Edward Mãos de Tesoura é simplesmente o melhor, ficando páreo a páreo com James e o Pêssego Gigante, assim como é o melhor papel de Johnny Depp que eu já tive a oportunidade de ver.
Edward (Johnny Depp) é um homem criado por um inventor, mas este faleceu antes que pudesse completar sua cria. Agora, Edward vive em um castelo solitário com tesouras no lugar das mãos, até que um dia a moça da Avon vai bater em sua porta para vender cosméticos. Após vê-lo nesse estado, Peg Boggs (Dianne Wiest) o leva para sua casa para não viver solitário. Logo, a vizinhança começa a admirá-lo por ser estranho, mas a intolerância com o diferente não leva a fama de Edward muito longe.
Ótima história. Não sei nem identificar do que ela se trata, com tantos traços entre a comédia, a fantasia, o drama e o romance. Mas a moral continua a mesma. Desde o começo as pessoas agem inseguras em relação à Edward, depois ele vira facilmente uma espécie de bicho de estimação que todos querem, e por uma fofoca ele passa de o queridinho de todos para o inimigo número 1 da cidade. E é hilário ver como eles mudam o julgamento de Edward num piscar de olhos, o medo do desconhecido grita mais alto do que qualquer tipo de afeição que tenha surgido.
Gostei bastante da atuação. Johnny Depp fez o personagem mais cativante de sua carreira. Por mais bobo que seja, um sorrisinho de Edward basta para acalmar qualquer um. Gostei também de Dianne West no início, como a vendedora falsa da Avon. Winona Ryder não está tão boa assim, mas reconheço que sem ela o filme não teria sido o mesmo. A cena final é magnífica. O figurino, não posso dizer que seja ruim. O cenário e a maquiagem estão impecáveis, principalmente a maquiagem. Cada arranhão de Edward, junto com sua palidez me convenceram. A trilha sonora por Danny Elfman ficou ótima.
Pode ter sido criado por Tim Burton, o mestre de filminhos coloridos, cheios de efeitos que cativam qualquer criança com suas jogadas para o lado do horror. Mas Edward Mãos de Tesoura é um filme obrigatório para todos, porque essa sim é uma lição que a sociedade em que vivemos está precisando aprender. De que adianta você ter visto o filme 5 vezes na Globo se em nenhuma delas você mudou o seu preconceito?
NOTA: 8

7 de junho de 2010

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (2010)

Um filme de Mike Newell com Jake Gyllenhaal e Alfred Molina.

Filme da Disney. Acho que depois disso posso encerrar a resenha. Embora a Disney tenha voltado às suas animações com moral, princesas e tudo mais, os filmes "de gente" dela só estão ganhando as telas. Mas se há alguma diferença entre o animado e o real? Nenhuma. Piratas do Caribe, Encantada, Alice, todos filmes feitos com atores, e atores bons para o uso em filmes para crianças. E Príncipe da Pérsia não fica fora disso. Com milhões de efeitos para encantar os fãs mais jovens, diálogos super mastigados, um mundo onde tudo dá certo, isso sem esquecer o beijo mais esperado do filme, que no fim se mostra um selinho.
Durante uma briga no mercado persa, o rei da Pérsia, Sharaman (Ronald Pickup) vê um garoto fazendo grandes acrobacias e lutando como um guerreiro, e desde então o rei o adota como seu filho. Esse garoto cresce e se torna Dastan (Gyllenhaal), um homem forte e corajoso. Até que um dia seus irmãos decidem atacar a cidade de Alamut em busca de armas. Dastan, contra isso, obedece os irmãos e força a entrada para a cidade, onde a princesa Tamina (Gemma Arterton) é capturada e forçada a casar com o futuro príncipe da Pérsia. Mas Dastan, em sua luta, descobre uma adaga que é capaz de voltar no tempo e vê que Alamut foi invadida por nada.
A atuação ficou medianíssima, se é que essa palavra possui um superlativo. Jake Gyllenhaal é muito mais capaz do que isso. Embora eu adore suas caras e bocas diversas, ele manteve a mesma cara de safado sortudo durante o filme inteiro, e quando a câmera avançava nele ele apenas abria um sorrisinho sarcástico, que poderia ser totalmente descartável. Gemma Arterton manteve a mesma pessoa durante o filme todo, nem depois que aquela super moral mal-feita aparece ela muda. Acho que das atuações só posso salvar Alfred Molina, que conseguiu, além de ser o melhor entre os grandes atores na superprodução, conseguiu trazer um pouco de comédia para o filme, embora fosse forçadíssima.
O roteiro, pelo que parece, seguiu com firmeza o jogo Príncipe da Pérsia, em que o filme foi baseado. Eu não tenho nenhuma opinião sobre esse jogo, pois só tive contato com ele através de um joguinho de celular onde os gráficos eram péssimos. Os efeitos se sobressaem em qualquer momento, alguns momentos eu me peguei assistindo um Matrix: Arábias do que um Príncipe da Pérsia. As lanças passando por um raspão, momentos em câmera lenta, só faltou uma tecnologia 3D para ele virar um clichê. Boa maquiagem, ótimo figurino. O filme fala o tempo inteiro em "belas palavras" ou "grande irmãozinho, sempre sabe a frase certa". Os diálogos do filme me fizeram chorar de desgosto, além de não gostar das frases feitas, não gosto que alguém na tela fique lembrando que as palavras são bonitas.
Embora o roteiro seja bastante original e eu não me lembre de qualquer outro filme assim desde Aladin, não me convenceu muito e bateu um grande arrependimento de ir ao cinema para ver isso. Um filme que até convence como ação e não peca pelo excesso de efeitos, mas chega a ser de longe um dos piores trabalhos de Gyllenhaal.
NOTA: 4

26 de maio de 2010

Fúria de Titãs (2010)

Um filme de Louis Leterrier com Sam Worthington e Ralph Fiennes.

Remakes. Acho que já falei o quanto eu odeio remakes, e todo esse ódio vem concentrado depois da surpresa que foi Quarentena comparado a [REC]. A diferença é: [REC] chega a ser original e um grande filme de sustos e terror da década, juntaria ele no top 10. Quarentena chega a ser vergonhoso. Fúria de Titãs não chega a ser tão estrondoso quanto o original foi na década de 80, mas os efeitos e a história chegam a ser divertidos até, ainda mais que eles usaram a grande tecnologia 3D que todos andam usando.
Perseu (Sam Worthington) é um semideus que apareceu para um pescador após um milênio da derrota dos titãs, e ele vive como pescador durante grande parte de sua vida. Mas num dia em que os homens destroem os templos dos deuses, Hades (Ralph Fiennes) retorna do mundo subterrâneo e se vinga dos humanos, matando a família de Perseu. Desde então ele busca vingança sobre o deus, que na verdade é seu tio.
Os efeitos são muito bem utilizados, tão bem utilizados que eu realmente não consigo distinguir o que é verdade e o que é falso naquele filme, eu não saco muito de efeitos, mas deu a sensação de que todo o filme foi filmado com uma tela verde sem nenhuma cidade cinematográfica. Se eu estiver errado, me avisem. Os efeitos em 3D foram bem utilizados durante a maior parte do filme, mas no fim, o 3D se perdeu.
A atuação de Sam Worthington foi, bem, como eu disse em Robin Hood, cheia da síndrome do protagonista. Mas uma boa interpretação, ele também já tinha o mesmo perfil do personagem fazendo o principal de Avatar. Ralph Fiennes, uma grande atuação. O roteiro é quase a mesma coisa do antigo. As cenas e a filmagem foram bem feitas, assim como a fotografia que ficou excelente.
Embora Fúria de Titãs tenha uma história envolvente, um preço caro de filme 3D e bons atores e grandes efeitos, ele não consegue se diferir muito de qualquer outro filme com essa história de herói que surgir por aí. Aposto que Prince of Persia, o filme estrelado por Jake Gyllenhaal, tenha um mesma contexto. Acho que também devo falar o quanto fiquei contente com alguns erros que variam de mitologia grega para figurino durante o filme.
NOTA: 4

24 de abril de 2010

Alice No País Das Maravilhas (2010)

Um filme de Tim Burton com Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter e Mia Wasikowska.

Antes de tudo, queria falar que milhões de pôsteres na internet tem como capa Johnny Depp. Por isso eu peguei esse, porque Johnny Depp não aparece. Johnny Depp é um dos atores mais supervalorizados que existe. E Tim Burton se aproveitou disso bastante para criar um filme supervalorizado. Ele usou o mesmo Johnny Depp de Piratas do Caribe para criar um chapeleiro maluco, então o filme pode ser um reflexo do personagem dele como Jack Sparrow. Tim Burton é o diretor da magia, e eu espero que quem leia isso já tenha visto o corretamente-supervalorizado Estranho Mundo de Jack antes de ver o supervalorizado Alice.
Alice (Mia Wasikowska) é uma menina de 17 anos que está prestes a receber um pedido de casamento. Quando ela se vê pressionada a aceitar, ela vê um coelho branco e o segue, caindo num buraco e voltando para um mundo que ela já visitara na infância, chamado de País das Maravilhas. Lá ela descobre que todos estão com problemas com a Rainha de Copas (Helena Bonham Carter) e precisam dela para destronar a déspota.
A atuação é algo que eu esperava bem mais. Eu nunca ouvi falar de Mia Wasikowska, então ela está perdoada por ter feito uma Alice tão boba e sem expressão. Agora Anne Hathaway, que sempre me surpreende com boa atuação, e Johnny Depp, que cria personagens marcantes para o cinema, eles não tem desculpa. Anne Hathaway parecia uma boba no filme inteiro, creio que isso pela influência da Disney, a fazendo andar como todas as princesas que as crianças de 8 anos admiram, assim como aqueles bobos da corte que nos surpreendem com piadas e risinhos idiotas e nos fazem querer vomitar. Fico feliz que Johnny Depp tenha interpretado esse papel tão bem. Ironia. Amém que uma alma salvou o filme, a alma de Helena Bonham Carter. Eu conseguia dar um riso verdadeiro e não forçado quando ela entrava em cena, e seu jargão de CORTEM AS CABEÇAS ficou incrível.
Como é um filme de Tim Burton, não me sinto com uma grande obrigação para falar de efeitos especiais. O nome diz por si próprio. Se eu pudesse classificá-los numa escala de 0 a 10, chegaria a 12 e uns quebrados. A maquiagem ficou impecabilíssima, como diria José Dias. Helena Bonham Carter fez uma rainha cabeçuda tão bem, e Johnny Depp ficou tão irreconhecível debaixo do pó branco e do cabelo vermelho que tenho de dar esse crédito a eles. O cenário ficou grandioso, maravilhoso. O figurino também não peca.
Alice em seu original é um filme feito para crianças se divertirem vendo as aventuras no país das maravilhas. Agora na versão com atores, eu esperava que ele chegasse a um patamar como o de Piratas do Caribe, onde qualquer pessoa se encanta. Mas foi um filme supervalorizado por todas as faixas etárias que buscou agradar somente a crianças. Se ele supera Avatar nas vendas? Duvido muitíssimo, a não ser que as crianças ficaram tão encantadas com a fala mansa de Anne Hathaway e o risinho de Johnny Depp combinados com efeitos 3D que façam os pais irem ao cinema mais 3 vezes.
NOTA: 6

21 de fevereiro de 2010

Percy Jackson e o Ladrão de Raios (2010)

Um filme de Chris Columbus com Logan Lerman e Uma Thurman.
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E depois que alguém decide fazer um Harry Potter da mitologia grega no mundo contemporâneo, não espere mais nada. É, realmente é um ótimo filme de ação, mas daqueles bem previsíveis, você sabe a partir dos primeiros 20 minutos o que vai ocorrer no filme inteiro e a personalidade de cada protagonista. Uma bela história, não faço a mínima ideia se foi ou não fiel ao livro porque não li. Mas o livro deve ser melhor, então entre o impasse de ir ao cinema e a uma livraria eu preferiria gastar uns 30 reais em páginas do que em pipoca.
A história começa com o raio de Zeus (Sean Bean) roubado, e Zeus acha que o filho de um Deus fez isso. Então ele acusa de roubo o sobrinho, Percy Jackson (Logan Lerman), filho de Poseidon (Kevin McKidd). Desde então a vida de Percy, um garota que não sabia de nada sobre a existência desse outro mundo, vive uma vida de fuga de Zeus e Hades (Steve Coogan) com seus amigos Groover (Brandon T. Jackson), o sátiro e Annabeth (Alexandra Daddario), a filha da deusa Athena (Melina Kanakaredes).
Eu não posso falar nada do roteiro pois ele é baseado em um livro, e como eu não li o livro pra dizer se o filme foi ou não fiel, vou apenas dizer o que disse no início, um bom filme de ação comum bom roteiro. Eu gostei bastante dos personagens, senti como se Medusa e o minotauro estivessem realmente no mundo atual. A fotografia também é muito boa, maquiagem e figurino ficaram impecáveis, sério. A professora se transformando em uma fúria ficou perfeito.
Atuação deixou a desejar. Acho que a melhor do filme foi Uma Thurman, que ainda assim deixou a desejar. O que realmente me chamou a atenção foi o figurino e a maquiagem que ficaram perfeitos. O fim só não foi mais clichê por não haver um beijo, e parabéns para o diretor (ou o livro?) por isso. Também gostei de alguns diálogos, eles me fizeram rir, principalmente porque eu vi dublado. Tem filmes que são melhores dublado do que legendados, e Percy Jackson e o Ladrão de Raios é um deles. A trilha sonora também é bem contemporânea e foi bem usada, e algumas músicas como Tik Tok, Poker Face e Highway To Hell caíram como uma luva.
Não é o melhor filme do ano, com toda a certeza não, mas também não foi um filme feito para isso. É um bom filme para passar o tempo, e eu não me arrependi de ter ido ao caro cinema vê-lo.
NOTA: 5